Frieza em cada etapa: autor confesso observou a vítima, tentou estuprá-la, matou e ainda forjou um assalto em Londrina
Estudante de Nutrição Thaissa Gabriely Oliveira Marques, de 21 anos, foi morta a facadas dentro de uma academia que sequer havia sido inaugurada. O suspeito, da mesma idade, foi autuado em flagrante por homicídio qualificado e tentativa de estupro.
O homem preso pela morte da estudante de Nutrição Thaissa Gabriely Oliveira Marques, de 21 anos, não agiu num impulso de segundos. Segundo o relato das forças de segurança, cada etapa do crime ocorrido na sexta-feira (11), na zona leste de Londrina, veio acompanhada de um cálculo: escolher a vítima, criar o pretexto para isolá-la, atacar e, depois de deixá-la morta no chão, inventar uma história para sair impune.
O plano antes da abordagem
Thaissa havia sido contratada poucos dias antes por uma academia que ainda se preparava para abrir as portas, nas imediações da Avenida Celso Garcia Cid. A função era simples e pública: distribuir panfletos na calçada, à vista de quem passasse.
Conforme apurado pela polícia, o suspeito — também de 21 anos — observou a jovem por algum tempo antes de se aproximar. A abordagem, segundo a investigação, foi construída sobre uma desculpa banal: ele teria pedido para conhecer as instalações do estabelecimento. Thaissa, trabalhando na divulgação do local, o conduziu para dentro. Relatos iniciais indicam ainda o uso de uma faca para levá-la ao interior do imóvel.
A reação e os golpes
Já sozinhos, o homem tentou estuprá-la. A estudante reagiu e houve luta corporal. Os dois desceram as escadas em direção ao estacionamento, chegando à área interna de um barracão, onde ela foi atingida por golpes de faca e morreu no local. O agressor também saiu ferido do confronto, principalmente nas mãos — marca da resistência da vítima.
A encenação depois do crime
É no que veio a seguir que a frieza fica mais evidente. Ferido, o suspeito deixou a academia, parou em uma rua próxima e pediu socorro a pessoas que passavam. A versão que apresentou: dizia ter sido vítima de um assalto. O Samu e a polícia foram acionados para atender uma ocorrência que ele mesmo havia fabricado, enquanto o corpo de Thaissa permanecia dentro do prédio.
A montagem durou pouco. Trabalhadores terceirizados que chegaram à academia notaram manchas de sangue e chamaram as autoridades. Os policiais entraram no estabelecimento e encontraram a jovem morta. Ao lado do corpo, além da poça de sangue, havia uma marca de sapato que, segundo as informações iniciais, seria do autor.
A confissão
Confrontado pelas equipes com o que acabara de ser descoberto, o homem mudou de versão sem rodeios. Ainda enquanto recebia atendimento médico, admitiu ter esfaqueado a jovem e, de acordo com a corporação, declarou que sua intenção era estuprá-la — e que, não conseguindo consumar o ato, acabou por matá-la. Também teria admitido que vinha observando a vítima antes da abordagem.
A narrativa apresentada por ele, portanto, não é a de um descontrole momentâneo: é a descrição encadeada de um objetivo, de uma tentativa frustrada e de uma decisão tomada em seguida.
Depois de receber alta, ele foi levado à delegacia e autuado em flagrante por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro, permanecendo à disposição da Justiça.
Perícia e próximos passos
A Polícia Civil do Paraná requisitou exames periciais, incluindo necropsia, procedimentos capazes de identificar violência sexual e coleta de possível material genético sob as unhas da vítima. As diligências complementares relacionadas ao crime sexual ficam a cargo da Delegacia da Mulher de Londrina. A área do crime foi isolada para o trabalho da perícia, e os investigadores também analisaram o trajeto percorrido pelo suspeito, onde havia rastros de sangue.
Quem era Thaissa
Filha mais nova de três irmãs, Thaissa cursava o último período de Nutrição no Centro Universitário Filadélfia (UniFil) e estava a poucos meses da formatura. A instituição divulgou nota de pesar. O velório foi realizado na capela da Acesf, com sepultamento previsto para a tarde de sábado (12), no Cemitério Padre Anchieta.

Em nota, a Prefeitura de Londrina classificou o caso como feminicídio e falou em morte “brutal”, afirmando que o episódio escancara uma realidade ainda enfrentada por mulheres no país.
O município se solidarizou com a família e reforçou o compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher. O Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) também lamentou a morte, lembrando que a jovem tinha vínculos, história e projetos de vida interrompidos aos 21 anos.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca confirmar oficialmente toda a dinâmica e a motivação do crime.
– Serviço:
Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo Ligue 180 ou pelo 190, em caso de emergência.