De Brasília para o topo: como o Menos é Mais virou referência no pagode brasileiro

Menos é Mais ganhou fama na internet e conquistou o país (Foto: Divulgação)

Brasília nasceu do encontro de muitos Brasis. Primeiro, com os candangos que ajudaram a erguer a capital no Planalto Central. Décadas depois, esse mesmo caldeirão cultural voltou a chamar atenção — agora pela música. Se nos anos 1980 o DF virou sinônimo de rock nacional, hoje é o pagode que ecoa forte, levando o nome da cidade para todo o país. E à frente desse movimento está o grupo Menos é Mais.

Formado por Duzão, Gustavo Goes, Ramon Alvarenga e Paulinho Félix, o quarteto fez algo que parecia improvável: saiu fora do tradicional eixo Rio–São Paulo e conquistou o topo do pagode brasileiro. Mais do que isso, levou o gênero às primeiras posições das paradas nacionais, algo historicamente raro.

O sucesso pode ser medido em números. Na Billboard Brasil, músicas como “Coração Partido” e “P do Pecado”, parceria com Simone Mendes, passaram meses no topo do Hot 100 — um feito inédito para o pagode. Mas, para o grupo, o impacto vai além dos rankings.

“‘Coração Partido’ foi um divisor de águas. Não só pra gente, mas para o pagode como um todo. Hoje, fazer pagode é diferente. Virou moda, virou bonito”, resume Duzão.

Dos barzinhos ao Brasil inteiro

A história do Menos é Mais começou como tantas outras: nos bares e casas pequenas de Brasília, embalando o público com clássicos do chamado Pagode 90. Mesmo com a fama da capital ligada ao rock e ao rap, existe um circuito forte de samba e pagode — foi ali que o grupo ganhou rodagem, público e identidade.

Com o tempo, os shows cresceram: 200 pessoas, 500, mil… até que veio o momento decisivo. Em 13 de dezembro de 2019, um vídeo simples do projeto “Churrasquinho do Menos é Mais”, publicado no YouTube, viralizou. Pouco depois, em fevereiro de 2020, um show na Bahia já reunia cerca de 10 mil pessoas.

Então veio a pandemia. Com todo mundo em casa, aquele pagode despretensioso virou trilha sonora para atravessar o isolamento. O vídeo disparou em visualizações e, cinco anos depois, ultrapassou a marca de 1 bilhão de views, com releituras de sucessos eternizados por Péricles, Pique Novo, Nosso Sentimento e Gustavo Lins.

Ramon lembra do impacto:

“Parecia dinheiro de videogame, os números só subiam. A gente não acreditava. Queria mesmo era ver a reação ao vivo.”

E ela veio.

Fora do eixo, mas no centro do Brasil

Para o grupo, nascer em Brasília foi um diferencial. A distância dos grandes centros permitiu uma escuta mais ampla da música brasileira. O Menos é Mais bebe do samba tradicional, mas dialoga com o sertanejo, o forró, o reggae e outros ritmos populares.

Um exemplo claro é “Lapada Dela”, parceria com Matheus Fernandes: começa com clima de reggae pop e explode no refrão em puro pagode.

Essa mistura também vem das vivências pessoais. Ramon traz a influência dos terreiros de umbanda. Paulinho carrega referências do Bumba Meu Boi, além de assinar a produção musical do grupo. Já nas parcerias, nomes como Dudu Borges, um dos principais produtores do sertanejo, ajudam a ampliar ainda mais esse diálogo entre gêneros.

“Brasília sempre foi um ponto de encontro de culturas. Testar, misturar, buscar o novo está na nossa essência”, diz Paulinho.

Covers, respeito e identidade

Durante um tempo, o grupo ouviu críticas por ter estourado com regravações. Mas, no pagode, revisitar clássicos sempre foi tradição. Para Liomar, vocalista do Pique Novo, essas releituras são motivo de orgulho: ajudam a manter vivo o legado do gênero.

O Menos é Mais seguiu um caminho comum no mercado: conquistou público com versões conhecidas e, aos poucos, apresentou músicas autorais. Desde 2019, o grupo lança composições próprias, sem abandonar os covers — tratados como homenagens a quem construiu a história do samba e do pagode.

A força da rádio e a conexão com a nova geração

Em 2025, o pagode viveu um ano especial. O gênero chegou ao topo do Spotify, liderou playlists e também voltou a dominar as rádios, com Menos é Mais figurando entre as músicas mais tocadas do país.

Para Gustavo, a rádio segue essencial:

“Muita gente ainda não tem acesso fácil ao streaming. A rádio chega onde o digital não chega.”

Duzão concorda:

“Você liga o carro, entra num Uber, e sua música está tocando. É diferente. É sentir de verdade.”

Essa presença constante ajudou o grupo a se conectar com a Geração Z, abrindo caminho para novos ouvintes do pagode. Não à toa, o Menos é Mais entrou na lista da Billboard Brasil dos 25 maiores grupos de pagode da história.

“Tem gente que começou a ouvir pagode por causa da gente. Aí a missão é mostrar o caminho: Fundo de Quintal, Revelação, tudo o que veio antes”, diz Gustavo.

No fim das contas, a cena se repete: o som toca, todo mundo dança, e o samba segue em movimento. De Donga ao Fundo de Quintal, do Pagode 90 ao Menos é Mais, o tempo passa, a música se transforma — e o samba continua.

Com informações Billboard Brasil

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