O que deveria ser uma celebração da trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva transformou-se em um combustível para a oposição. O desfile da Acadêmicos de Niterói, sob o enredo “O Operário do Brasil”, extrapolou as grades do Sambódromo e aterrissou diretamente nas mesas dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A acusação central? Abuso de poder econômico e propaganda antecipada.
- A estética da discórdia: Evangélicos e Bolsonaro
O ponto de maior fricção social foi a representação de setores religiosos. A ala que trazia componentes fantasiados de evangélicos confinados em “latas de conserva” foi recebida como uma crítica à suposta “manipulação da fé”.
A reação: Lideranças da Frente Parlamentar Evangélica classificaram a cena como “cristofobia institucionalizada”.
A defesa: A escola de samba alega “liberdade de expressão artística” e que a metáfora visual referia-se ao isolamento social de certos grupos durante a pandemia, e não a uma crítica dogmática.
A presença de alegorias satirizando Jair Bolsonaro também foi lida pela oposição como um “linchamento público” financiado, em parte, por recursos da Lei Rouanet e subvenções municipais, o que agrava a tese de uso indevido de verba pública para fins políticos.
- O risco da inelegibilidade: O “Fantasma” da AIJE
Juristas consultados apontam que o perigo para o Palácio do Planalto reside na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). O Partido Novo e o PL argumentam que o desfile funcionou como um “showmício de luxo”.
| Elemento do Desfile | Argumento da Oposição (Ilegalidade) | Argumento da Defesa (Legalidade) |
| Samba-Enredo | Alusões ao número 13 e jingles de campanha. | Narrativa biográfica e licença poética. |
| Presença VIP | Ministros e a Primeira-Dama na avenida. | Exercício da cidadania e lazer. |
| Financiamento | Uso de dinheiro público para promoção pessoal. | Fomento à cultura e ao patrimônio imaterial. |
- O cenário no TSE
Para que a inelegibilidade seja concretizada, a Justiça Eleitoral precisa comprovar a “gravidade das circunstâncias”. Ou seja, não basta a homenagem; é necessário provar que o evento desequilibrou o pleito de 2026 de forma irreversível. O histórico do TSE é cauteloso quanto à censura de manifestações culturais, mas o tom explicitamente laudatório do desfile — em um ano que antecede as eleições — coloca o governo em uma posição defensiva inédita.
Análise do especialista: “O precedente do caso ‘Showmício’ é claro: a estrutura pública não pode servir de palanque. Se o TSE entender que houve coordenação direta entre o governo e a agremiação, o risco para a chapa de 2026 é real”, afirma o constitucionalista André Sampaio.
Próximos passos:
A oposição aguarda o relatório de prestação de contas da escola para cruzar dados de patrocinadores. Qualquer indício de triangulação com empresas que detêm contratos federais pode elevar o tom da investigação.
Da Redação 98FM com agências