Autoridades do estado do Novo México, nos Estados Unidos, realizaram uma nova operação de buscas no Rancho Zorro, propriedade que pertenceu ao financista Jeffrey Epstein. A ação ocorreu na segunda-feira (9) e faz parte de uma investigação criminal sobre supostos abusos de mulheres e meninas ligados ao empresário antes de sua morte, em 2019.
Segundo autoridades locais, a operação integra o inquérito anunciado em fevereiro pelo Departamento de Justiça do Novo México. O objetivo é aprofundar apurações sobre atividades ilegais que teriam ocorrido na propriedade, localizada em uma área isolada do estado.
O rancho já havia sido citado milhares de vezes em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, relacionados ao caso Epstein.
Propriedade de luxo e encontros reservados
Rancho Zorro foi adquirido por Epstein em 1993 do ex-governador do estado, Bruce King. A propriedade inclui uma mansão de aproximadamente 2,5 mil metros quadrados, além de pista de pouso privativa, hangares e casas para funcionários.
De acordo com documentos judiciais, o local era utilizado como refúgio reservado para convidados, oferecendo mais discrição do que outro endereço conhecido do financista, a ilha particular Little St. James, no Caribe.
Relatos de vítimas incluídos nos processos mencionam episódios ocorridos no rancho. Uma mulher identificada como Jane Doe afirmou ter sido abusada no local em 2004, quando tinha 15 anos. Outra vítima, Annie Farmer, relatou que Ghislaine Maxwell, ex-associada de Epstein e atualmente presa, teria tocado seus seios quando ela ainda era adolescente.
Suspeitas de destruição de evidências
Documentos recentes também apontam novas suspeitas envolvendo a propriedade. Segundo registros do Federal Bureau of Investigation (FBI), investigadores receberam alertas de que Epstein poderia ter usado um incinerador escondido em um celeiro recém-construído para destruir possíveis provas de crimes.
Um relatório da agência, datado de 19 de julho de 2019 — poucos dias após a prisão do financista — reúne o depoimento de um policial aposentado que patrulhou a região por cerca de 15 anos.
No relato, o ex-agente descreveu a construção de um celeiro considerado incomum para atividades rurais. Segundo ele, a estrutura possuía chaminé e um sistema de segurança do tipo “sally port”, em que apenas uma porta se abre por vez, permitindo controle rigoroso de acesso.
O policial também afirmou ter visto diversas figuras de alto perfil frequentando o rancho e mencionou rumores de que Epstein recrutava jovens para visitas à propriedade isolada.
E-mail levanta suspeita de enterros na propriedade
As investigações ganharam novo impulso após o envio de um e-mail ao FBI por um suposto ex-funcionário do rancho. Na mensagem, intitulada “Confidencial: Jeffrey Epstein”, o autor afirma ter presenciado irregularidades enquanto trabalhava no local.
Ele alegou que duas jovens estrangeiras teriam sido enterradas nas colinas próximas à propriedade após morrerem durante práticas sexuais violentas. Segundo o relato, as mortes teriam ocorrido por estrangulamento e estariam ligadas a Epstein e a Ghislaine Maxwell, citada no e-mail como “Madam G”.
O remetente também disse possuir vídeos que comprovariam os crimes e pediu pagamento em Bitcoin em troca do material.
Investigações foram reabertas
Diante das novas informações, o procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, determinou a reabertura das investigações sobre o rancho.
Embora o caso estadual tenha sido encerrado em 2019 a pedido de promotores federais, autoridades afirmaram que novas revelações presentes nos arquivos do FBI justificam uma análise mais aprofundada.
Agora, agentes especiais e promotores estaduais tentam obter acesso completo aos documentos federais, sem trechos ocultados, para colaborar com uma “comissão da verdade” criada por legisladores do estado.
Caso Epstein
Jeffrey Epstein foi condenado em 2008 por crimes de abuso sexual de menores, algumas com apenas 14 anos. Anos depois, voltou a ser preso e aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual quando morreu na prisão, em Nova York, em 2019.
A morte ocorreu enquanto o caso ainda estava em investigação, e desde então autoridades continuam analisando denúncias relacionadas às propriedades e às pessoas ligadas ao financista.
Da Redação 98 FM News / Com informações do Metrópoles