A divulgação da carta aberta “Uma Carta para o Brasil que Acorda Cedo”, liderada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e apoiada por cerca de 3 mil entidades empresariais, intensificou o debate nacional sobre o futuro das relações de trabalho no país. O documento defende a aprovação da PEC 12/2026, conhecida como PEC do trabalho flexível, como alternativa à proposta que extingue a escala 6×1.
No manifesto, entidades do setor produtivo, como a FIESP, a CNI, a CNA e a CNC, argumentam que a flexibilização da jornada permitirá aos trabalhadores maior autonomia para negociar horários e formas de trabalho. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criticou a tramitação da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados, afirmando que a rapidez da votação teve caráter eleitoral e pode provocar impactos negativos na produtividade e pressão sobre a inflação.
A posição do empresariado, no entanto, encontrou forte resistência entre parlamentares, sindicatos e movimentos sociais. Críticos da PEC 12/2026 classificam a proposta como “PEC do patrão” ou “escala 7×0”, alegando que o texto abre espaço para jornadas excessivas e reduz garantias trabalhistas conquistadas ao longo das últimas décadas.
O embate agora se concentra no Senado Federal. De um lado, centrais sindicais e parlamentares favoráveis ao fim da escala 6×1 pressionam pela manutenção do texto aprovado pela Câmara. Do outro, representantes do setor empresarial atuam para que o Senado priorize a análise da PEC do trabalho flexível na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A disputa também chegou ao gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem sido procurado por representantes de ambos os lados para definir o rito de tramitação das propostas. O cenário transforma a discussão sobre a jornada de trabalho em uma das principais batalhas políticas e econômicas do Congresso Nacional neste ano, colocando em confronto diferentes visões sobre produtividade, competitividade e direitos dos trabalhadores.