Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai e dá 48h para defesa explicar carta

Ministro do STF proíbe visitas por 90 dias após senador divulgar carta escrita por Jair Bolsonaro; magistrado quer saber se ex-presidente sabia da divulgação, proibida por decisão judicial

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A decisão, tomada nesta segunda-feira (13), também concede 48 horas para que a defesa esclareça a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente e publicada pelo filho nas redes sociais.

Carta reafirma apoio a Flávio na disputa presidencial

No último sábado (11), Flávio Bolsonaro divulgou um texto assinado pelo pai em que Jair Bolsonaro reforça o apoio à pré-candidatura do filho mais velho à Presidência da República na eleição de outubro. No documento, o ex-presidente pede união em torno do nome de Flávio e faz referência a valores como “Deus, pátria, família e liberdade”.

Moraes cobra explicações sobre possível desobediência

Na decisão, Moraes recorda que, ao autorizar a prisão domiciliar temporária de Bolsonaro em 24 de março, determinou expressamente a proibição de uso de redes sociais pelo ex-presidente, seja diretamente ou por meio de terceiros. Diante disso, o ministro exige que a defesa se manifeste sobre uma possível desobediência à ordem judicial e informe se Bolsonaro tinha conhecimento prévio de que a carta seria divulgada publicamente por Flávio.

Para Moraes, senador é “reincidente”

O ministro classificou a conduta do senador como desvio de finalidade do direito de visita, já que Flávio teria usado o encontro com o pai unicamente para obter o texto e publicá-lo. Moraes ainda destacou que essa não seria a primeira vez: em agosto de 2025, pai e filho já haviam descumprido a mesma restrição, segundo o magistrado, ao produzir material para apoiadores políticos.

Michelle teme nova prisão, e oposição pede revogação do benefício

Segundo informações da coluna Grande Angular, do Metrópoles, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem manifestado a pessoas próximas o temor de que o episódio resulte no retorno do marido à prisão. Ela também tem pedido orações diante da expectativa sobre a decisão de Moraes.

Já o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou as redes sociais para pedir que o ministro revogue a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, argumentando que o descumprimento das medidas cautelares foi, segundo ele, “objetivo, deliberado e confessado”.

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