Convenções definem seis candidatos ao governo do Paraná; Moro lidera pesquisas com folga

As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto. Os nomes homologados devem ser registrados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto

Prazo para homologação de chapas termina nesta quarta-feira (5). Sandro Alex reúne a maior coligação do estado com Greca como vice, e Requião Filho concentra o apoio do PT e de Lula. Disputa ao Senado segue em aberto e pode colocar os irmãos Álvaro e Osmar Dias em campos opostos.

Curitiba | 3 de agosto de 2026 – A dois dias do fim do prazo para as convenções partidárias, a sucessão no Palácio Iguaçu já tem contornos definidos. Seis chapas foram homologadas para a disputa de 4 de outubro, e o tabuleiro se organizou em torno de três forças principais: o senador Sergio Moro (PL), líder isolado em todas as pesquisas divulgadas até agora; o deputado federal Sandro Alex (PSD), escolhido pelo governador Ratinho Junior para dar continuidade ao seu projeto e sustentado pela maior aliança do estado; e o deputado estadual Requião Filho (PDT), nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo PT.

O fim de semana concentrou as definições decisivas. No sábado (1º), o Partido Liberal oficializou Moro em convenção em Curitiba. No domingo (2), o MDB homologou o ex-prefeito Rafael Greca como candidato a vice na chapa de Sandro Alex, encerrando uma pré-candidatura própria que chegara a figurar em terceiro lugar nas sondagens. Também no sábado, o PSTU confirmou o professor Samuel de Mattos, somando-se às candidaturas de Tayná Miessa (Unidade Popular) e Luiz França (Missão), lançadas nos dias anteriores.

Quem está na disputa

Candidato Partido Vice Aliança Convenção
Sergio Moro PL Edson Vasconcelos (PL) PL, Podemos, Democracia Cristã e Novo 1º de agosto
Sandro Alex PSD Rafael Greca (MDB) PSD, MDB, União Progressista, PSDB-Cidadania e Republicanos 25 de julho
Requião Filho PDT A definir (anúncio em 5 de agosto) PDT, com apoio do PT e da Federação Brasil da Esperança 25 de julho
Luiz França Missão Não divulgado Chapa própria 22 de julho
Tayná Miessa Unidade Popular Willian Araki (UP) Chapa própria 29 de julho
Samuel de Mattos PSTU Helena Figueiredo (PSTU) Chapa própria 1º de agosto

Moro resgata a Lava Jato e nacionaliza a campanha

A convenção do PL foi realizada no dia em que Moro completou 54 anos. A chapa terá como vice o empresário Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), engenheiro civil formado pela UFPR e sem histórico de disputas eleitorais. Para o Senado, a coligação lançou o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol, indicado pelo Novo.

Ex-juiz federal por mais de duas décadas e ex-ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro, Moro resgatou explicitamente sua trajetória na Operação Lava Jato no discurso de lançamento.

“Eu sou o juiz da Lava Jato. Eu sou o juiz que comandou a maior operação da história do Brasil contra a corrupção. Eu sou aquele que, munido da lei, da Justiça e da verdade, enviou para a prisão aquelas pessoas que roubaram o nosso país.”

O Supremo Tribunal Federal reconheceu posteriormente a suspeição de Moro na condução do processo do triplex do Guarujá, o que resultou na anulação dos atos processuais praticados por ele naquele caso.

O senador também vinculou a campanha estadual à disputa presidencial. “A derrota do Lula é essencial para garantir o futuro e a liberdade do nosso país”, afirmou, acrescentando que vai “lutar para derrotar o Lula e eleger o nosso candidato, Flávio Bolsonaro”. Questionado sobre dividir palanque com Flávio Bolsonaro em meio às suspeitas envolvendo o caso do banco Master, Moro minimizou o episódio e reconheceu que houve “alguma divergência e algum ressentimento” no rompimento com a família Bolsonaro, mas defendeu o que chamou de “projeto maior”.

A migração de Moro do União Brasil para o PL, em março, garantiu palanque a Flávio Bolsonaro no quinto maior colégio eleitoral do país e resolveu um impasse interno, já que parlamentares do União Brasil e do PP resistiam à sua candidatura. O custo foi o isolamento em relação ao centrão paranaense: além do PL, apenas Podemos, Democracia Cristã e Novo integram a coligação.

Sandro Alex herda popularidade recorde e reúne o centrão

A candidatura de Sandro Alex foi homologada em 25 de julho, no Espaço Torres, em Curitiba, em evento que reuniu cerca de cinco mil pessoas, o governador Ratinho Junior, o vice-governador Darci Piana, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o pré-candidato do partido à Presidência, Ronaldo Caiado, e cerca de 200 prefeitos. Natural de Ponta Grossa, com 53 anos e formado em Direito, ele comandou a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística até abril e já foi deputado federal. “Sou um construtor”, definiu-se ao aceitar a indicação.

O trunfo da chapa é o tamanho da aliança e a popularidade do governo que pretende suceder. Ao PSD e ao MDB somaram-se as federações União Progressista (União Brasil e PP) e PSDB-Cidadania, além do Republicanos. A adesão emedebista veio acompanhada da renúncia de Greca à disputa majoritária: o ex-prefeito, eleito três vezes para a Prefeitura de Curitiba, entregou a Sandro Alex o plano de governo que havia elaborado — definido por ele como “um plano de paranismo aplicado” — e disse ter aceitado o convite após visita do governador. “É uma honra e uma alegria servir ao Paraná”, afirmou.

O movimento reduziu o risco de pulverização de votos no campo governista estadual e ampliou o tempo de propaganda no rádio e na televisão. A herança de Ratinho Junior também é favorável em números: a Quaest registrou 81% de aprovação e 13% de desaprovação da gestão estadual, com avaliação positiva de 68%. Para 63% dos entrevistados, o governador “merece eleger seu sucessor”, contra 25% que discordam. O desafio da chapa é converter esse capital em intenção de voto, já que Sandro Alex ainda oscila na casa de um dígito.

Requião Filho concentra o campo da esquerda

O PDT homologou Requião Filho — nome político de Maurício Thadeu de Mello e Silva, 46 anos, deputado estadual e filho do ex-governador Roberto Requião — em 25 de julho, na sede do partido. Na mesma ocasião, a legenda confirmou apoio à reeleição de Lula e à candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado. O candidato a vice, as coligações e as diretrizes programáticas serão anunciados nesta quarta-feira (5), em Curitiba, no lançamento oficial da campanha.

O PT paranaense decidiu não lançar candidatura própria ao governo e declarou apoio ao pedetista, reservando-se as duas indicações ao Senado: a ex-ministra Gleisi Hoffmann e o ex-deputado federal Doutor Rosinha.

O eixo programático apresentado por Requião Filho contrasta diretamente com o legado da gestão do PSD, com ênfase na reversão de privatizações.

“Queremos retomar as empresas públicas que foram vendidas, deixando o Custo Paraná muito caro. Fazer investimentos de verdade na infraestrutura com planejamento, não obras perdidas pelo Paraná que não se comunicam. Queremos devolver a alegria para a sala de aula, reduzir impostos gerando emprego sempre. E, é lógico, ajudar o homem do campo, o pequeno e o médio agricultor.”

Esquerda socialista e novos partidos completam o quadro

Pelo PSTU, Samuel de Mattos, 36 anos, natural de Turvo (SC), ex-carteiro dos Correios e atualmente professor de matemática no Colégio Estadual do Paraná, disputa com Helena Figueiredo como vice. Militante do partido desde os 19 anos, ele já concorreu a vice-prefeito de Curitiba em 2020, a deputado federal em 2022 e a prefeito da capital em 2024. A candidatura se posiciona simultaneamente contra a direita e contra o que o partido classifica como “política de conciliação de classes” da esquerda governista, defendendo “um Paraná governado por quem trabalha, e não pelos interesses dos grandes empresários e do agronegócio”.

A Unidade Popular oficializou em 29 de julho Tayná Miessa, 30 anos, formada em Produção Cultural pela UFPR, filha de operários imigrantes japoneses e ativista feminista, com Willian Araki como vice. Entre as pautas da chapa estão o fim da escala 6×1 com aumento salarial de 100%, a obrigatoriedade de uso do SUS por parlamentares e familiares e a reestatização de empresas privatizadas.

O partido Missão lançou em 22 de julho o advogado Luiz Felipe França, formado em Direito e Economia, que disputa sua primeira eleição e vinha registrando de 1% a 3% nas sondagens. Já a candidatura do empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia foi inviabilizada na prática pela adesão da Democracia Cristã à coligação de Moro. Garcia acusa publicamente o senador de ter atuado junto ao comando nacional da sigla para bloquear seu registro — versão não confirmada pelo PL.

Pesquisas mostram favoritismo consistente

Dois levantamentos divulgados na última semana convergem no diagnóstico de ampla vantagem do candidato do PL, embora divirjam quanto à magnitude.

Candidato Quaest (21 a 25/7) Veritá (28/7 a 1/8) Veritá (votos válidos)
Sergio Moro (PL) 39% 47,5% 54,7%
Requião Filho (PDT) 18% 16,3% 18,7%
Rafael Greca (MDB)* 12% 10,8% 12,5%
Sandro Alex (PSD) 7% 9,4% 10,9%
Luiz França (Missão) 1% 2,2% 2,6%
Samuel de Mattos (PSTU) 0,5% 0,6%
Indecisos 15% 9%

* Greca foi testado como candidato ao governo nos dois levantamentos, antes da formalização de sua ida para a vice na chapa de Sandro Alex.

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 25 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e registro PR-04818/2026. Nas simulações de segundo turno, Moro venceria todos os adversários testados: 48% a 29% contra Requião Filho, 47% a 25% contra Greca e 50% a 18% contra Sandro Alex.

O Instituto Veritá entrevistou 2.010 eleitores entre 28 de julho e 1º de agosto, com margem de erro de 2,5 pontos e registros PR-03910/2026 no TRE e BR-02249/2026 no TSE. Nesse levantamento, Moro alcançaria 54,7% dos votos válidos, patamar que indicaria vitória já no primeiro turno.

Há, no entanto, margem relevante de reversão. A Quaest registrou que 64% dos eleitores admitem mudar o voto para governador, contra 35% que consideram a decisão definitiva. Na Veritá, 63,4% dos entrevistados não citaram espontaneamente qualquer nome para o cargo. Entre os principais problemas do estado, os paranaenses apontaram saúde (28%), violência (14%) e educação (8%). Na rejeição, Requião Filho lidera com 47%, seguido por Moro (34%), Greca (32%), Tony Garcia (23%), Sandro Alex (17%) e Luiz França (10%).

Chapa ao Senado é o nó da disputa

Se a disputa majoritária estadual está definida, a composição das chapas para as duas vagas ao Senado permanece em aberto e concentra a maior tensão política do momento. O MDB homologou no domingo o ex-governador e ex-senador Álvaro Dias, de 81 anos, que confirmou a intenção de disputar e afirmou querer “construir pontes” para atrair Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, à mesma chapa.

“As pesquisas de opinião pública, pela generosidade do povo do Paraná, me conferiram, durante esse período de silêncio, altos índices de aprovação e índices mínimos de rejeição, isso me chamou à responsabilidade. O Alexandre Curi tem a sua vaga reservada. Eu não faria campanha sem a presença dele.”

A convenção do Republicanos, marcada para a noite desta segunda-feira (3) no Clube da Urca, deve embaralhar o cenário ao apresentar dois nomes à coligação: Curi e o ex-senador Osmar Dias, irmão de Álvaro, que se filiou ao partido em abril. A sinalização foi feita pelo presidente estadual da legenda, o deputado federal Pedro Lupion, e abre a possibilidade de um confronto familiar inédito na política paranaense recente.

Na Quaest de julho, Álvaro Dias liderava a disputa senatorial com 20%, seguido por Curi, Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann, empatados em 10%. Filipe Barros aparecia com 8%. Álvaro Dias é também o candidato mais conhecido (52%), enquanto Gleisi Hoffmann registra a maior rejeição (60%).

O que vem a seguir

As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto. Os nomes homologados devem ser registrados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, e a campanha começa oficialmente em 16 de agosto. Até o registro definitivo, as coligações ainda podem sofrer ajustes, já que parte das convenções tende a delegar às executivas estaduais a palavra final sobre a composição das alianças.

O primeiro turno ocorre em 4 de outubro, quando os paranaenses votarão para presidente, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. Um eventual segundo turno está previsto para 25 de outubro.

OUÇA AO VIVO
publicação legal

Agora disponibilizamos neste espaço, PUBLICAÇÕES LEGAIS, para que órgãos mucipais, estaduais, federais e privados publique seus documentos.