Homenageada no 1º Café Rosa do Sesc Apucarana, a doutora em Educação emocionou o público ao falar sobre o tratamento contra o câncer e reforçou a mensagem central do Outubro Rosa: cuidar de si é prioridade
Em uma manhã dedicada à vida e à prevenção, uma história chamou a atenção de todos. A educadora, pesquisadora, professora e palestrante Leila Pryjma, atualmente em tratamento contra o câncer, foi reconhecida por sua atuação brilhante e inspiradora durante o 1º Café Rosa, realizado na sexta-feira (9) no Sesc Apucarana. Ao dar seu depoimento como paciente oncológica, Leila emocionou os presentes com um relato marcado por coragem, serenidade e resiliência.
O evento
O 1º Café Rosa foi promovido em conjunto pelo Sistema Fecomércio PR Sesc Senac, pelo Sindicato do Comércio Varejista de Apucarana (Sivana), pela Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios e pelo Sicoob. Em alusão ao Outubro Rosa, o encontro reuniu empresárias, lideranças e representantes de diversos setores da sociedade para ampliar a conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer.
A presidente do Sivana, Aída Assunção, destacou que o autocuidado não deve ser visto como luxo ou privilégio, mas como uma atitude de responsabilidade consigo mesma e com as pessoas próximas. Nesse contexto, o depoimento de Leila deu rosto e voz à mensagem do evento.
Na mesma ocasião, a Associação Casa da Amizade de Apucarana foi homenageada pelo apoio ao programa “De Mulher para Mulher”, que confecciona e doa sutiãs e próteses mamárias externas a mulheres que passaram por mastectomia.
O depoimento
Com a voz embargada, Leila começou lembrando quem sempre foi. “Eu sempre fui uma mulher muito ativa. Professora, pesquisadora, escritora, mãe, esposa, avó, servidora pública. Uma mulher de muitos projetos, muitas ideias”, contou. “E de repente a vida me pediu algo que talvez esteja sendo o meu maior aprendizado, que é parar.”
Ela falou sobre a espera que marca o tratamento: pelo exame, pelo resultado, pela dor que precisa passar. “E como é difícil, mulherada, a gente aprender a esperar”, desabafou. Hoje, segundo ela, as conquistas são outras. “As minhas vitórias são bem pequenas. É levantar com menos dor, conseguir caminhar um pouquinho, dormir melhor.”
O momento mais emocionante veio quando Leila agradeceu à rede de apoio, formada pelo marido, pelo filho Gabriel, pela família e por amigas que se tornaram irmãs. Ela descreveu mãos que lavaram, passaram, levaram sopa e acompanharam consultas. “Cada vez que cada um se torna família de alguém que está com câncer, é uma grande vitória. Então, que cada um de vocês aqui possa ser família de alguém.”
A homenageada também lembrou que, em março deste ano, estava naquela mesma sala do Sesc como palestrante. “A vida nos traz o improvável”, disse. Mesmo assim, deixou claro como se enxerga: “Eu não olho para mim como alguém que está doente, mas como alguém que continua.”
Para as mulheres presentes, a mensagem foi direta: “Façam seus exames. Não deixem o abraço para depois, a ligação para depois, a visita para depois. A vida é agora.” Ela também destacou a força da solidariedade feminina: “Quando a gente está lascado, quem estica a mão pra gente é uma mulher.”
Leila disse que escolhe atravessar esse momento com fé, com a ciência, com a família e com outras mulheres. “Eu escolho acreditar que ainda há um futuro. E escolho que ele seja lindo”, afirmou, antes de encerrar sob aplausos: “Muito obrigada pelo carinho. Desculpa, a emoção.”
Uma trajetória dedicada à educação
A homenagem reconhece uma carreira construída em sala de aula e na pesquisa. Leila Pryjma é doutora e mestre em Educação e graduada em Letras, Pedagogia, Filosofia e Ciência da Felicidade. Atua como pesquisadora, professora e palestrante nas áreas de educação, psicologia e neurociências, buscando integrar ciência e humanização no processo de ensinar e aprender.
O mestrado foi concluído na Universidade Estadual de Londrina (UEL), com uma pesquisa sobre leitura. No estudo, ela ouviu 445 professores de uma rede municipal de ensino para entender como esses profissionais compreendem o ato de ler. O trabalho deu origem a um artigo publicado em 2011 na revista Práxis Educativa, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Leila também é ligada ao Instituto Federal do Paraná (IFPR) e já apresentou estudos sobre a identidade do professor do século 21 em eventos científicos da instituição.
Os livros
Leila é autora de obras voltadas a educadores, famílias e estudantes:
Leitura: representações sociais de professores (2015): reúne a pesquisa de mestrado sobre como os professores enxergam a leitura e como isso se reflete na prática em sala de aula.
Puxa conversa escola: 100 perguntas para os alunos falarem do ambiente escolar (2020): material em cartas com perguntas que estimulam o diálogo entre alunos e educadores. O título tem avaliação de 4,8 de 5 estrelas na Amazon.
Neurociência da aprendizagem: compreendendo o cérebro para potencializar o ensino: obra que aproxima as descobertas sobre o funcionamento do cérebro da prática pedagógica. Disponível em e-book.
E vem mais por aí. Durante o depoimento, Leila anunciou que prepara uma nova obra sobre a experiência que está vivendo: “Logo, logo tem um livro novo dessa história.”
Mensagem que fica
Mais do que uma homenagem, o reconhecimento a Leila Pryjma mostrou que as histórias de quem enfrenta o câncer têm o poder de mobilizar. A professora que dedicou a vida a ensinar seguiu ensinando, desta vez sobre esperança, autocuidado e a importância de não adiar os exames preventivos. Nas palavras dela, que a história de cada mulher “possa tocar o coração de vocês, não como um ponto final, mas como uma vírgula, uma pausa, um convite”.
- Ouça o que disse a escritora:
Onde adquirir as obras dela
As obras de Leila Pryjma estão à venda na Amazon Brasil (amazon.com.br), com busca pelo nome da autora. Neurociência da aprendizagem pode ser adquirido na versão digital e lido no Kindle ou no aplicativo gratuito Kindle, em celulares e computadores.