Copel investe R$ 846,7 milhões para reduzir apagões causados por temporais no Paraná

Companhia afirma ter ampliado podas e manutenção da rede e aposta em religadores automáticos para restabelecer a energia em até três minutos; sete eventos severos atingiram o Estado em 45 dias

A Copel informou que investiu R$ 846,7 milhões em ações para prevenir interrupções no fornecimento de energia no Paraná, em meio aos efeitos do fenômeno El Niño. Segundo a companhia, só de janeiro a setembro deste ano foram aplicados cerca de R$ 260 milhões em intervenções preventivas.

Vegetação perto da rede

O gasto médio mensal com manutenção e remoção da vegetação próxima aos fios chegou a R$ 28,8 milhões nesse período. O ritmo é 7,2% superior ao de 2025 e 31,2% maior que o de 2024.

Para o diretor-geral de Distribuição da Copel, Denis Mollica, a prevenção reduz os danos e acelera a volta da energia quando há interrupções por eventos externos. “O que importa é que o cliente tenha energia no seu imóvel, na sua propriedade”, afirmou.

Em parceria com prefeituras e a Defesa Civil, a empresa realizou 730 mutirões de poda, roçada e manutenção da rede. Também foram firmados 81 acordos de cooperação técnica com municípios para o manejo da vegetação.

Os números do trabalho de campo, segundo a Copel:

860 mil podas de árvores junto à rede em todo o Estado

66 milhões de metros quadrados de roçada em áreas rurais, o equivalente a quase 10 mil campos de futebol

mais de 20 mil pontos de manutenção preventiva na rede elétrica

Sete temporais em 45 dias

De acordo com a companhia, sete eventos climáticos severos atingiram o Paraná entre o início de setembro e meados de outubro. Nos temporais consecutivos entre 28 de setembro e 13 de outubro, não houve intervalo de estabilidade para recuperar os danos. O solo encharcado, sobretudo no meio rural, dificultou o transporte de postes e equipamentos por caminhões e atrasou os religamentos.

O pico de desligamentos foi no fim de semana de 3 e 4 de outubro, quando 325 mil unidades consumidoras ficaram sem energia. Mais de 90% desse total teve o fornecimento restabelecido em menos de 24 horas, conforme a Copel.

Do início de setembro até a primeira semana de outubro, as equipes substituíram 3.400 postes quebrados, sete torres de alta tensão e mais de 200 quilômetros de cabos rompidos. Em cada evento, mais de 3 mil profissionais foram mobilizados no auge dos trabalhos. Outros R$ 30 milhões foram destinados a estrutura de contingência, como subestações móveis, torres de emergência, reforço de estoque e renovação da frota.

Tempestades mais frequentes

Os temporais severos ficaram mais comuns no Estado. Entre 2020 e 2022, a média foi de 12 grandes temporais. De 2023 a 2025, o número subiu para 20.

Rede que se corrige sozinha

Além do trabalho em campo, a Copel investe em automação. Os sistemas self-healing, que identificam falhas, isolam o trecho afetado e restauram a energia sem intervenção humana, estão em 1,5 mil pontos da rede. Eles atendem cerca de 3 milhões de unidades consumidoras, 56% das 5,4 milhões atendidas pela empresa no Paraná. Em falhas causadas por fatores externos, a energia pode voltar em até três minutos.

O sistema também se conecta a 2 milhões de medidores inteligentes, instalados em 157 municípios (38% da área de concessão), o que permite detectar interrupções em tempo real.

Preparo para o Super El Niño

A companhia afirma que se preparou com antecedência. Em julho, realizou o Workshop de Eventos Extremos, com meteorologistas e equipes de operação, infraestrutura e bases de campo de todas as regiões. No mesmo mês, Mollica participou, em Brasília, de seminário da Aneel sobre o Super El Niño e a resiliência do setor elétrico.

O plano de contingência da Copel cobre desde a previsão do tempo e o monitoramento permanente até a prontidão das equipes, a recomposição da rede e o religamento dos clientes.

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