Após carta de Zelensky propondo cessar-fogo, Putin diz estar aberto a acordo de paz

Presidente russo condicionou negociações à retirada das tropas ucranianas do Donbass; Trump apoiou encontro entre os dois líderes e disse que os EUA tiveram papel importante na aproximação (Imagem: Arte 98 FM News)

O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta sexta-feira (6/6) estar disposto a negociar um acordo de paz com a Ucrânia, um dia após o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky divulgar uma carta aberta propondo um cessar-fogo e um encontro pessoal entre os dois líderes. A resposta de Putin, no entanto, veio acompanhada de condições: para o russo, Kiev precisa aceitar os termos já discutidos na cúpula entre Putin e o presidente americano Donald Trump, realizada em Anchorage, no Alasca.

A condição russa

Putin deixou claro que a Ucrânia “sabe bem” qual é a principal exigência de Moscou: a retirada das tropas ucranianas da região do Donbass como pré-condição para o início das negociações. O líder russo afirmou que a Rússia está disposta a fazer concessões, mas cobrou dos Estados Unidos que convençam Kiev a fazer o mesmo.

“Se Zelensky aceitar esses termos, o conflito chegará rapidamente ao seu fim natural”, declarou Putin.

Trump celebra aproximação

O presidente americano Donald Trump também se manifestou sobre o assunto na quinta-feira (5/6), ao falar a repórteres no Salão Oval da Casa Branca. Ele avaliou positivamente a possibilidade de um encontro entre os dois líderes e afirmou que Washington teve papel relevante na aproximação.

“Fico feliz que estejam talvez falando em se encontrar. Acho que tivemos muito a ver com isso. Seria ótimo se eles se encontrassem — eles deveriam”, disse Trump, acrescentando que ambos os lados precisam fazer concessões para que a paz seja possível.

A carta de Zelensky

A iniciativa partiu de Zelensky, que na quinta-feira (5/6) publicou a primeira carta aberta e direta a Putin desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022. No documento, o presidente ucraniano propôs um cessar-fogo imediato, uma troca de prisioneiros — com prioridade para civis e crianças sequestradas pela Rússia — e um encontro presencial entre os dois líderes em um país neutro, como a Suíça ou uma nação árabe, descartando tanto Moscou quanto Kiev como sedes.

No trecho final da carta, Zelensky adotou um tom mais duro e fez um alerta direto a Putin. O ucraniano afirmou que, se o russo não encerrar o conflito, terá de lutar pela própria sobrevivência política — e que a Ucrânia tem condições de acelerar esse desgaste.

“Você pode acabar lutando não pela existência da Rússia, mas por sua própria existência”, escreveu Zelensky.

Pressão interna sobre Putin

O recado de Zelensky encontra eco em análises sobre o momento político e econômico da Rússia. Putin enfrenta dificuldades econômicas crescentes, queda de popularidade e apagões recorrentes na internet, fatores que corroem seu apoio interno.

Para o jornal italiano La Repubblica, o cenário atual é propício ao diálogo. “Nenhum dos lados está em condições de vencer, e ambos enfrentam problemas crescentes. Putin sabe que os recursos financeiros estão esgotados”, avalia o veículo.

O diário aponta ainda que a máquina de guerra russa consome recursos e mão de obra em ritmo insustentável, deixando outros setores da economia sem trabalhadores. Em breve, segundo a análise, Putin pode ser forçado a cortar benefícios sociais e aumentar impostos — medidas que aprofundariam o descontentamento popular e o distanciamento dos oligarcas.

Da Redação 98 FM News/Com Metrópoles

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