Após um mês e 19 dias do desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 (foto em destaque), em Bacabal, a Polícia Civil do Maranhão (PCMA) segue com a investigação do caso. Com ausência de vestígios e pistas, o delegado Edson Martins afirmou ao Metrópoles, nesta segunda-feira (23/2), que a principal hipótese sobre o sumiço é de que as crianças caíram no Rio Mearim.
Desde 4 de janeiro, forças de segurança do Maranhão mantêm uma operação contínua de buscas e investigação no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Vegetação densa, chuvas torrenciais e presença de diversos cursos d’água são fatores que dificultam as buscas, cercando o desaparecimento de mistérios, sem a possibilidade de descartar outras hipóteses, segundo o delegado.
“Cada informação que tem chegado, a gente tem checado. Mas a linha de investigação mais forte mesmo é de terem se perdido na mata e caído na água“, explicou Edson.
O delegado à frente do caso enfatiza que o inquérito policial ainda não foi finalizado e que essa pode não ser a única tese do relatório, no entanto, é a hipótese mais provável.
A área central das buscas foi definida com base no relato de Anderson Kauan, primo de Ágatha e Allan que sumiu com os parentes e foi a única criança encontrada até o momento.
O relato de Anderson guiou as forças de segurança até uma “casa caída”, que fica próximo ao Rio Mearim, onde os primos passaram uma das noites. As equipes de resgate fizeram uma varredura na mata e não encontraram pistas, com isso, as buscas no meio fluvial foram intensificadas.
O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), em trabalho conjunto com a Marinha, fez buscas minuciosas com auxílio de um side scan sonar na água durante cinco dias, de forma ininterrupta, mas nenhum vestígio das crianças foi identificado.
O delegado explicou que as buscas podem ter sido prejudicadas pelo atraso em encontrar pistas no matagal.
Cronologia do desaparecimento
- 4 de janeiro: Anderson Kauan (8), Isabelle (6) e Michael (4) saem de casa para brincar, em busca de um pé de maracujá, e desaparecem. Familiares iniciam buscas.
- 5 de janeiro: operação é montada com apoio das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. Moradores se voluntariam.
- 6 de janeiro: buscas são reforçadas com helicópteros, drones e cães farejadores.
- 7 de janeiro: Anderson é encontrado com vida por um carroceiro. A criança estava sem roupas, em um matagal a 4 km de casa.
- 8 de janeiro: short e chinelo de Anderson são encontrados na mata, próximo ao local do resgate.
- 9 de janeiro: prefeitura anuncia recompensa de R$ 20 mil por informações.
- 10 de janeiro: Exército Brasileiro e Batalhão Ambiental reforçam a operação; cerca de 340 pessoas participam das buscas.
- 11 de janeiro: novas peças de roupas infantis são encontradas por voluntários envolvidos nas buscas.
- 12 de janeiro: Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão descarta que os itens pertençam aos irmãos desaparecidos.
- 15 de janeiro: varredura no Lago Limpo, localizado nos arredores da região em que as crianças sumiram. polícia identifica o local, conhecido como “casa caída”, onde as crianças teriam passado ao menos uma noite.
- 17 de janeiro: buscas por crianças desaparecidas em Bacabal ganham reforço da Marinha.
- 19 de janeiro: bombeiros percorrem 180 quilômetros pelo Rio Mearim em busca de pistas sobre o paradeiro dos irmãos.
- 20 de janeiro: polícia descarta denúncia de que crianças de Bacabal estavam no Pará. Procissão em quilombo pede volta de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4.
- 22 de janeiro: buscas aquáticas no Rio Mearim são encerradas.
- 25 de janeiro: Polícia Civil de São Paulo investiga denúncia de que irmãos teriam sido vistos em um hotel no centro da capital. Hipótese foi descartada.
- 26 de janeiro: delegado Ederson Martins, responsável pela investigação em Bacabal, desmente informações que circulavam nas redes sociais indicando que a mãe e o padrasto teriam vendido as crianças.
- 3 de fevereiro: Polícia Civil prioriza linha investigativa de que as crianças possam ter se perdido na mata, sem descartar outras hipóteses, inclusive eventual participação de terceiros.
Com informações do Metrópoles