Câmara aprova fim da escala 6×1 e setor produtivo do PR alerta para inflação e desemprego

Em votação histórica e acelerada, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada de trabalho no modelo 6×1. O texto, que agora segue para o Senado Federal, reduz o limite máximo de trabalho para 40 horas semanais e garante dois dias de repouso semanal remunerado (escala 5×2), sem redução salarial.

A aprovação gerou forte reação das entidades ligadas ao comércio, serviços e indústria nesta quinta-feira (28), que alertam para o risco de um “efeito bumerangue”, com potencial para penalizar os trabalhadores por meio do aumento do desemprego e da inflação.

  • Como funcionará a transição para as 40 horas

A mudança prevê uma transição gradual de até 14 meses após a promulgação da PEC

Primeiros 2 meses: Redução inicial de duas horas na jornada semanal.

Até 14 meses: Redução das quatro horas restantes para atingir o teto de 40 horas.

Folgas: O trabalhador terá direito a duas folgas semanais (preferencialmente aos domingos), sendo que ao menos uma delas deve ocorrer dentro do período de uma semana.

Exceção: Profissionais de alta renda, com diploma superior e salário acima de R$ 21,1 mil (2,5 vezes o teto da Previdência), ficam excluídos das novas regras e do controle de ponto.

Entidades do Paraná preveem alta de custos e demissões

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) manifestou “profunda preocupação”. O setor terciário responde por quase 70% dos empregos formais no estado e depende de funcionamento contínuo. Segundo a federação, a redução da jornada sem aumento de produtividade vai elevar os custos, impactando principalmente os pequenos e médios negócios através de:

Inflação: Repasse inevitável dos novos custos operacionais para os preços ao consumidor.

Informalidade: Pressão sobre o mercado de crédito e avanço de contratos informais.

Dificuldade operacional: Complicações para micro e pequenas empresas revisarem escalas e horários de atendimento.

Paralelamente, a Associação Comercial do Paraná (ACP) criticou a pressa na tramitação, apontando falta de debate técnico. Estudos preliminares citados pelo setor produtivo local indicam que o fim do modelo 6×1 pode elevar o custo do trabalho no país em até 22%. No pior cenário, as lideranças advertem que a perda de competitividade e o impacto financeiro generalizado podem retrair o PIB e ameaçar mais de 1 milhão de vagas formais de emprego no médio prazo.

Próximos passos: Com o texto no Senado, confederações empresariais buscam abrir diálogo com os senadores para flexibilizar regimes de compensação e incluir salvaguardas para pequenos negócios e serviços essenciais (saúde, segurança e transporte).

OUÇA AO VIVO
publicação legal

Agora disponibilizamos neste espaço, PUBLICAÇÕES LEGAIS, para que órgãos mucipais, estaduais, federais e privados publique seus documentos.