O aumento das temperaturas, associado ao grande volume de chuvas registrado nos últimos meses, tem favorecido o aparecimento de animais peçonhentos no Paraná. Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta a população para o risco de acidentes e reforça a importância dos cuidados preventivos, principalmente em residências, áreas de mata e regiões turísticas.
Segundo a Secretaria, o calor e a umidade favorecem a movimentação desses animais, que ficam mais ativos em períodos de reprodução, deslocamento e busca por alimentos. Além disso, o aumento do fluxo de pessoas em áreas de lazer, no Litoral e em regiões de mata também pode contribuir para a ocorrência de acidentes.
Os dados mostram que aranhas e escorpiões lideram os registros no Estado. Em 2025, foram contabilizados 9.558 acidentes com aranhas e 8.472 com escorpiões. Já entre janeiro e outubro de 2026, os números preliminares apontam 6.543 acidentes com aranhas e 7.180 com escorpiões, sem registro de mortes nesse período. No ano passado, quatro pessoas morreram em decorrência de acidentes com escorpiões.
As abelhas aparecem em terceiro lugar no número de ocorrências, com 2.342 registros em 2026. Apesar de menos frequentes, os acidentes envolvendo esses insetos apresentam maior letalidade. Neste ano, foram registradas 12 mortes, provocadas por reações alérgicas graves (anafilaxia) ou envenenamento decorrente de múltiplas picadas.
A Sesa orienta que a população evite qualquer aproximação de enxames e colmeias, especialmente de abelhas africanas, conhecidas pelo comportamento mais agressivo.
Em caso de múltiplas picadas, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. Quando possível, os ferrões devem ser retirados por raspagem, evitando o uso de pinças.
A remoção de colmeias em residências ou locais públicos deve ser realizada exclusivamente por profissionais treinados e equipados. A população não deve tentar eliminar os enxames por conta própria.
Também é importante evitar caminhar ou correr próximo à rota de voo das abelhas. Ao identificar um enxame, mantenha distância segura e evite ruídos de motores e equipamentos de jardinagem, que podem desencadear comportamento agressivo.
O aparecimento de escorpiões em diferentes regiões do Paraná também preocupa as autoridades. Crianças com até 10 anos estão entre as mais vulneráveis às picadas, devido ao menor tamanho corporal e à maior sensibilidade aos efeitos do veneno.
Em 2025, das quatro mortes provocadas por acidentes com escorpiões no Estado, três foram de crianças e uma de adolescente.
Entre as espécies encontradas no Paraná, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) representa o maior risco de complicações graves e óbitos.
Em 2026, mais de 72 mil animais foram encaminhados ao Laboratório de Taxonomia Animal do Estado. Desse total, 93% eram escorpiões-amarelos. O trabalho de identificação contribui para o monitoramento das espécies e para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle.
A Secretaria de Estado da Saúde recomenda alguns cuidados simples para reduzir a presença de aranhas e escorpiões nas residências:
- Manter quintais, jardins e terrenos limpos, evitando o acúmulo de entulhos.
- Manter a grama aparada e evitar vegetação densa próxima às paredes.
- Sacudir roupas e calçados antes de utilizá-los.
- Não colocar as mãos em buracos, sob pedras ou em troncos em decomposição.
- Instalar telas em ralos, pias e tanques.
- Vedar frestas e buracos em paredes e pisos.
- Colocar soleiras nas portas e proteger janelas para impedir a entrada dos animais.
- Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão.
- Examinar roupas antes de vestir, principalmente camisas, blusas e calças.
- Manter o lixo doméstico em recipientes fechados, evitando a proliferação de insetos que servem de alimento aos escorpiões.
Outra orientação é preservar os predadores naturais desses animais, como corujas, lagartos e sapos. A Sesa informa que disponibiliza todos os soros antivenenos, incluindo o antiescorpiônico e o antiaracnídico, em 211 locais distribuídos pelas regionais de saúde do Paraná.
Em caso de acidente, a orientação é procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. A avaliação médica é fundamental para definir a necessidade de tratamento específico e eventual aplicação de soro.
Para esclarecimentos sobre acidentes com animais peçonhentos e intoxicações, a população e os profissionais de saúde podem entrar em contato com os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox):
- CIATox Paraná: 0800 041 0148
- CIATox Londrina: (43) 3371-2244
- CIATox Maringá: (44) 3011-9127
- CIATox Cascavel: (45) 3321-5261
A Secretaria reforça que a prevenção começa dentro de casa, com ambientes limpos e cuidados simples no dia a dia. Em caso de picada ou contato com animal peçonhento, não espere o surgimento de sintomas graves: procure atendimento médico imediatamente.
Com Agência Estadual de Notícias