A Zona da Mata mineira vive uma das maiores tragédias climáticas de sua história. Desde a noite de segunda-feira (23), temporais provocam enxurradas e deslizamentos simultâneos, deixando ao menos 36 mortos até a manhã desta quarta-feira (25). O número pode aumentar, já que mais de 30 pessoas continuam desaparecidas.
As cidades mais atingidas são Juiz de Fora e Ubá. Segundo o Corpo de Bombeiros, são 30 mortes em Juiz de Fora e seis em Ubá. Uma pessoa morreu eletrocutada após a queda de fiação elétrica, mas o caso não entra na contagem oficial das vítimas de soterramentos e deslizamentos.
Chuva de um mês em poucas horas
Em Juiz de Fora, o volume de chuva em pouco mais de quatro horas foi equivalente ao esperado para quase um mês inteiro. Em uma única rua da cidade, ao menos 20 pessoas foram soterradas. O acumulado ultrapassou o dobro da média histórica para fevereiro — o mais chuvoso já registrado no município.
O fenômeno responsável foi uma supercélula, tempestade severa, organizada e duradoura, capaz de provocar chuvas intensas, ventos fortes e granizo. O cenário foi agravado pelo solo já encharcado.
Além dos deslizamentos, houve queda de árvores, alagamentos, enchentes e o desabamento de dois prédios. Em Ubá, a enxurrada invadiu lojas, arrastou veículos de uma concessionária e atingiu imóveis próximos ao leito do rio.
Buscas continuam sob risco
As equipes de resgate trabalham em meio à instabilidade. Nove frentes do Corpo de Bombeiros, com cerca de 125 militares — incluindo reforços de Belo Horizonte e de outras cidades — atuam na região. Até agora, 208 pessoas foram resgatadas com vida.
Em Juiz de Fora, 31 pessoas seguem desaparecidas; em Ubá, duas. Não há desaparecidos em Matias Barbosa.
A Defesa Civil Nacional foi acionada para apoiar os municípios. Peritos e médicos-legistas da Polícia Civil também reforçam os trabalhos para agilizar a identificação das vítimas.
As autoridades orientam que moradores evitem deslocamentos desnecessários. O risco de novos deslizamentos permanece elevado.
Mais chuva a caminho
O alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) classifica a situação como de “grande perigo” na Zona da Mata, no Vale do Rio Doce e no Sul e Sudoeste de Minas. O aviso também abrange todo o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.
O órgão prevê volumes acima de 100 milímetros por dia até sexta-feira (27). Uma nova frente fria deve avançar a partir desta quarta, mantendo o cenário de instabilidade.
Centenas fora de casa
A Defesa Civil estima cerca de 440 desabrigados — a maioria acolhida em escolas públicas. As aulas da rede municipal de Juiz de Fora estão suspensas ao menos até quinta-feira (26).
Os municípios afetados decretaram situação de emergência ou calamidade pública.
Mobilização estadual e federal
O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), e o vice-governador Mateus Simões (PSD) estiveram em Juiz de Fora na terça-feira (24) e anunciaram as primeiras medidas de socorro. Zema decretou luto oficial de três dias no estado.
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), informou que o governo federal vai repassar R$ 800 por pessoa desabrigada. Os recursos serão destinados às prefeituras para compra de colchões, alimentos e itens básicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou “pronta mobilização” da estrutura federal.
Há também um pano de fundo político: a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), é adversária do grupo político de Zema e é apontada como possível candidata ao governo estadual. Questionado, o governador afirmou que mantém “diálogo permanente” com a prefeitura e com o governo federal e que “não há ideologia política” diante da tragédia.
Telefones de emergência
Moradores de áreas de risco devem permanecer atentos aos alertas. Em caso de emergência, os números são:
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193 – Corpo de Bombeiros
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199 – Defesa Civil
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190 – Polícia Militar
Enquanto a chuva persiste, a prioridade segue sendo encontrar desaparecidos e garantir abrigo às famílias que perderam tudo.
Da Redação 98 FM News / Com Metrópoles e R7
