Conta de luz mais cara puxa inflação de setembro e pesa no bolso do apucaranense

Foto: Edson Denobi / Os motivos apontados são o mercado de trabalho aquecido, o risco de o El Niño encarecer os alimentos

IPCA sobe 0,82% após a deflação de agosto; no Paraná, o fim do Bônus de Itaipu se soma ao reajuste de quase 20% da Copel

A inflação oficial voltou a subir em setembro. O IPCA ficou em 0,82% no mês, segundo o IBGE, depois de registrar -0,32% em agosto. Foi o maior resultado mensal desde março, quando o índice chegou a 0,88%. Também foi a maior taxa para um mês de setembro desde 2021.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,22% para 4,58%. Isso ultrapassa o teto de 4,5% da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. No ano, a alta chega a 3,95%. O número também veio acima do que o mercado esperava.

Energia: o maior peso no mês

O grupo Habitação subiu 2,31% e foi a maior pressão do mês. A energia elétrica residencial aumentou 7,98% e, sozinha, respondeu por 0,32 ponto percentual do índice. A principal causa foi o fim do Bônus de Itaipu, que tinha sido creditado nas faturas de agosto. A bandeira tarifária amarela também esteve em vigor no mês.

Para quem mora em Apucarana, a alta se soma a um aumento que já vinha pesando. A Aneel aprovou uma revisão tarifária com efeito médio de 20,51% nas contas da Copel. As novas tarifas estão em vigor desde 24 de junho de 2026. Para os consumidores de baixa tensão, grupo que inclui residências, pequenos comércios e propriedades rurais, o reajuste médio foi de 19,85%.

Segundo a agência, o aumento foi pressionado principalmente pelos custos de transmissão e de compra de energia, além de encargos setoriais. Na fatura, a alta começou a aparecer com força nos vencimentos de agosto. Em setembro, sem o desconto do bônus, a conta voltou ao valor cheio. O bônus valia para consumidores residenciais e rurais que consumiram menos de 350 kWh em pelo menos um mês de 2023.

Combustíveis e alimentos também subiram

O grupo Transportes subiu 0,89%, puxado principalmente pela alta de 9,66% nas passagens aéreas. Gasolina, etanol e diesel também ficaram mais caros, o que afeta tanto o motorista quanto o frete das mercadorias.

Alimentação e bebidas subiu 0,83%, depois de três meses seguidos de queda. As maiores altas foram de tomate, batata, cebola e arroz. A cesta básica seguiu o mesmo caminho. Segundo a pesquisa do Dieese com a Conab, o custo da cesta subiu nas 27 capitais em setembro. Nas capitais, quem ganha um salário mínimo precisou gastar, em média, 50,21% da renda líquida para comprar os alimentos básicos.

Regiões

Entre as capitais pesquisadas, a maior inflação foi a de Vitória (ES), com 1,08%. O resultado foi puxado pela energia, que subiu 10,85%, e pelo tomate, que subiu 43,19%. A menor foi a de Rio Branco (AC), com 0,53%.

Analistas da XP esperam inflação pressionada nos próximos meses. Os motivos apontados são o mercado de trabalho aquecido, o risco de o El Niño encarecer os alimentos e o petróleo em alta. No último Boletim Focus de setembro, a projeção do mercado para a Selic no fim de 2026 era de 13,50% ao ano.

Para economizar na conta de luz, a dica é acompanhar o consumo em kWh na fatura. Famílias inscritas no CadÚnico devem verificar se têm direito à Tarifa Social de Energia Elétrica.

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