Prazo para homologação de chapas termina nesta quarta-feira (5). Sandro Alex reúne a maior coligação do estado com Greca como vice, e Requião Filho concentra o apoio do PT e de Lula. Disputa ao Senado segue em aberto e pode colocar os irmãos Álvaro e Osmar Dias em campos opostos.
Curitiba | 3 de agosto de 2026 – A dois dias do fim do prazo para as convenções partidárias, a sucessão no Palácio Iguaçu já tem contornos definidos. Seis chapas foram homologadas para a disputa de 4 de outubro, e o tabuleiro se organizou em torno de três forças principais: o senador Sergio Moro (PL), líder isolado em todas as pesquisas divulgadas até agora; o deputado federal Sandro Alex (PSD), escolhido pelo governador Ratinho Junior para dar continuidade ao seu projeto e sustentado pela maior aliança do estado; e o deputado estadual Requião Filho (PDT), nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo PT.
O fim de semana concentrou as definições decisivas. No sábado (1º), o Partido Liberal oficializou Moro em convenção em Curitiba. No domingo (2), o MDB homologou o ex-prefeito Rafael Greca como candidato a vice na chapa de Sandro Alex, encerrando uma pré-candidatura própria que chegara a figurar em terceiro lugar nas sondagens. Também no sábado, o PSTU confirmou o professor Samuel de Mattos, somando-se às candidaturas de Tayná Miessa (Unidade Popular) e Luiz França (Missão), lançadas nos dias anteriores.
Quem está na disputa
| Candidato | Partido | Vice | Aliança | Convenção |
| Sergio Moro | PL | Edson Vasconcelos (PL) | PL, Podemos, Democracia Cristã e Novo | 1º de agosto |
| Sandro Alex | PSD | Rafael Greca (MDB) | PSD, MDB, União Progressista, PSDB-Cidadania e Republicanos | 25 de julho |
| Requião Filho | PDT | A definir (anúncio em 5 de agosto) | PDT, com apoio do PT e da Federação Brasil da Esperança | 25 de julho |
| Luiz França | Missão | Não divulgado | Chapa própria | 22 de julho |
| Tayná Miessa | Unidade Popular | Willian Araki (UP) | Chapa própria | 29 de julho |
| Samuel de Mattos | PSTU | Helena Figueiredo (PSTU) | Chapa própria | 1º de agosto |
Moro resgata a Lava Jato e nacionaliza a campanha
A convenção do PL foi realizada no dia em que Moro completou 54 anos. A chapa terá como vice o empresário Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), engenheiro civil formado pela UFPR e sem histórico de disputas eleitorais. Para o Senado, a coligação lançou o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol, indicado pelo Novo.
Ex-juiz federal por mais de duas décadas e ex-ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro, Moro resgatou explicitamente sua trajetória na Operação Lava Jato no discurso de lançamento.
“Eu sou o juiz da Lava Jato. Eu sou o juiz que comandou a maior operação da história do Brasil contra a corrupção. Eu sou aquele que, munido da lei, da Justiça e da verdade, enviou para a prisão aquelas pessoas que roubaram o nosso país.”
O Supremo Tribunal Federal reconheceu posteriormente a suspeição de Moro na condução do processo do triplex do Guarujá, o que resultou na anulação dos atos processuais praticados por ele naquele caso.
O senador também vinculou a campanha estadual à disputa presidencial. “A derrota do Lula é essencial para garantir o futuro e a liberdade do nosso país”, afirmou, acrescentando que vai “lutar para derrotar o Lula e eleger o nosso candidato, Flávio Bolsonaro”. Questionado sobre dividir palanque com Flávio Bolsonaro em meio às suspeitas envolvendo o caso do banco Master, Moro minimizou o episódio e reconheceu que houve “alguma divergência e algum ressentimento” no rompimento com a família Bolsonaro, mas defendeu o que chamou de “projeto maior”.
A migração de Moro do União Brasil para o PL, em março, garantiu palanque a Flávio Bolsonaro no quinto maior colégio eleitoral do país e resolveu um impasse interno, já que parlamentares do União Brasil e do PP resistiam à sua candidatura. O custo foi o isolamento em relação ao centrão paranaense: além do PL, apenas Podemos, Democracia Cristã e Novo integram a coligação.
Sandro Alex herda popularidade recorde e reúne o centrão
A candidatura de Sandro Alex foi homologada em 25 de julho, no Espaço Torres, em Curitiba, em evento que reuniu cerca de cinco mil pessoas, o governador Ratinho Junior, o vice-governador Darci Piana, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o pré-candidato do partido à Presidência, Ronaldo Caiado, e cerca de 200 prefeitos. Natural de Ponta Grossa, com 53 anos e formado em Direito, ele comandou a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística até abril e já foi deputado federal. “Sou um construtor”, definiu-se ao aceitar a indicação.
O trunfo da chapa é o tamanho da aliança e a popularidade do governo que pretende suceder. Ao PSD e ao MDB somaram-se as federações União Progressista (União Brasil e PP) e PSDB-Cidadania, além do Republicanos. A adesão emedebista veio acompanhada da renúncia de Greca à disputa majoritária: o ex-prefeito, eleito três vezes para a Prefeitura de Curitiba, entregou a Sandro Alex o plano de governo que havia elaborado — definido por ele como “um plano de paranismo aplicado” — e disse ter aceitado o convite após visita do governador. “É uma honra e uma alegria servir ao Paraná”, afirmou.
O movimento reduziu o risco de pulverização de votos no campo governista estadual e ampliou o tempo de propaganda no rádio e na televisão. A herança de Ratinho Junior também é favorável em números: a Quaest registrou 81% de aprovação e 13% de desaprovação da gestão estadual, com avaliação positiva de 68%. Para 63% dos entrevistados, o governador “merece eleger seu sucessor”, contra 25% que discordam. O desafio da chapa é converter esse capital em intenção de voto, já que Sandro Alex ainda oscila na casa de um dígito.
Requião Filho concentra o campo da esquerda
O PDT homologou Requião Filho — nome político de Maurício Thadeu de Mello e Silva, 46 anos, deputado estadual e filho do ex-governador Roberto Requião — em 25 de julho, na sede do partido. Na mesma ocasião, a legenda confirmou apoio à reeleição de Lula e à candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado. O candidato a vice, as coligações e as diretrizes programáticas serão anunciados nesta quarta-feira (5), em Curitiba, no lançamento oficial da campanha.
O PT paranaense decidiu não lançar candidatura própria ao governo e declarou apoio ao pedetista, reservando-se as duas indicações ao Senado: a ex-ministra Gleisi Hoffmann e o ex-deputado federal Doutor Rosinha.
O eixo programático apresentado por Requião Filho contrasta diretamente com o legado da gestão do PSD, com ênfase na reversão de privatizações.
“Queremos retomar as empresas públicas que foram vendidas, deixando o Custo Paraná muito caro. Fazer investimentos de verdade na infraestrutura com planejamento, não obras perdidas pelo Paraná que não se comunicam. Queremos devolver a alegria para a sala de aula, reduzir impostos gerando emprego sempre. E, é lógico, ajudar o homem do campo, o pequeno e o médio agricultor.”
Esquerda socialista e novos partidos completam o quadro
Pelo PSTU, Samuel de Mattos, 36 anos, natural de Turvo (SC), ex-carteiro dos Correios e atualmente professor de matemática no Colégio Estadual do Paraná, disputa com Helena Figueiredo como vice. Militante do partido desde os 19 anos, ele já concorreu a vice-prefeito de Curitiba em 2020, a deputado federal em 2022 e a prefeito da capital em 2024. A candidatura se posiciona simultaneamente contra a direita e contra o que o partido classifica como “política de conciliação de classes” da esquerda governista, defendendo “um Paraná governado por quem trabalha, e não pelos interesses dos grandes empresários e do agronegócio”.
A Unidade Popular oficializou em 29 de julho Tayná Miessa, 30 anos, formada em Produção Cultural pela UFPR, filha de operários imigrantes japoneses e ativista feminista, com Willian Araki como vice. Entre as pautas da chapa estão o fim da escala 6×1 com aumento salarial de 100%, a obrigatoriedade de uso do SUS por parlamentares e familiares e a reestatização de empresas privatizadas.
O partido Missão lançou em 22 de julho o advogado Luiz Felipe França, formado em Direito e Economia, que disputa sua primeira eleição e vinha registrando de 1% a 3% nas sondagens. Já a candidatura do empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia foi inviabilizada na prática pela adesão da Democracia Cristã à coligação de Moro. Garcia acusa publicamente o senador de ter atuado junto ao comando nacional da sigla para bloquear seu registro — versão não confirmada pelo PL.
Pesquisas mostram favoritismo consistente
Dois levantamentos divulgados na última semana convergem no diagnóstico de ampla vantagem do candidato do PL, embora divirjam quanto à magnitude.
| Candidato | Quaest (21 a 25/7) | Veritá (28/7 a 1/8) | Veritá (votos válidos) |
| Sergio Moro (PL) | 39% | 47,5% | 54,7% |
| Requião Filho (PDT) | 18% | 16,3% | 18,7% |
| Rafael Greca (MDB)* | 12% | 10,8% | 12,5% |
| Sandro Alex (PSD) | 7% | 9,4% | 10,9% |
| Luiz França (Missão) | 1% | 2,2% | 2,6% |
| Samuel de Mattos (PSTU) | — | 0,5% | 0,6% |
| Indecisos | 15% | 9% | — |
* Greca foi testado como candidato ao governo nos dois levantamentos, antes da formalização de sua ida para a vice na chapa de Sandro Alex.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 25 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e registro PR-04818/2026. Nas simulações de segundo turno, Moro venceria todos os adversários testados: 48% a 29% contra Requião Filho, 47% a 25% contra Greca e 50% a 18% contra Sandro Alex.
O Instituto Veritá entrevistou 2.010 eleitores entre 28 de julho e 1º de agosto, com margem de erro de 2,5 pontos e registros PR-03910/2026 no TRE e BR-02249/2026 no TSE. Nesse levantamento, Moro alcançaria 54,7% dos votos válidos, patamar que indicaria vitória já no primeiro turno.
Há, no entanto, margem relevante de reversão. A Quaest registrou que 64% dos eleitores admitem mudar o voto para governador, contra 35% que consideram a decisão definitiva. Na Veritá, 63,4% dos entrevistados não citaram espontaneamente qualquer nome para o cargo. Entre os principais problemas do estado, os paranaenses apontaram saúde (28%), violência (14%) e educação (8%). Na rejeição, Requião Filho lidera com 47%, seguido por Moro (34%), Greca (32%), Tony Garcia (23%), Sandro Alex (17%) e Luiz França (10%).
Chapa ao Senado é o nó da disputa
Se a disputa majoritária estadual está definida, a composição das chapas para as duas vagas ao Senado permanece em aberto e concentra a maior tensão política do momento. O MDB homologou no domingo o ex-governador e ex-senador Álvaro Dias, de 81 anos, que confirmou a intenção de disputar e afirmou querer “construir pontes” para atrair Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, à mesma chapa.
“As pesquisas de opinião pública, pela generosidade do povo do Paraná, me conferiram, durante esse período de silêncio, altos índices de aprovação e índices mínimos de rejeição, isso me chamou à responsabilidade. O Alexandre Curi tem a sua vaga reservada. Eu não faria campanha sem a presença dele.”
A convenção do Republicanos, marcada para a noite desta segunda-feira (3) no Clube da Urca, deve embaralhar o cenário ao apresentar dois nomes à coligação: Curi e o ex-senador Osmar Dias, irmão de Álvaro, que se filiou ao partido em abril. A sinalização foi feita pelo presidente estadual da legenda, o deputado federal Pedro Lupion, e abre a possibilidade de um confronto familiar inédito na política paranaense recente.
Na Quaest de julho, Álvaro Dias liderava a disputa senatorial com 20%, seguido por Curi, Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann, empatados em 10%. Filipe Barros aparecia com 8%. Álvaro Dias é também o candidato mais conhecido (52%), enquanto Gleisi Hoffmann registra a maior rejeição (60%).
O que vem a seguir
As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto. Os nomes homologados devem ser registrados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, e a campanha começa oficialmente em 16 de agosto. Até o registro definitivo, as coligações ainda podem sofrer ajustes, já que parte das convenções tende a delegar às executivas estaduais a palavra final sobre a composição das alianças.
O primeiro turno ocorre em 4 de outubro, quando os paranaenses votarão para presidente, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. Um eventual segundo turno está previsto para 25 de outubro.