O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico de Davos, o chamado “Conselho de Paz”, grupo liderado por Washington com a proposta inicial de atuar na reconstrução e desmilitarização da Faixa de Gaza após mais de dois anos de conflito entre Hamas e Israel.
A criação do conselho está prevista em resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro de 2025, que prevê uma administração transitória do território até a conclusão de reformas pela Autoridade Palestina. No entanto, o formato do grupo e sua real abrangência têm gerado dúvidas entre governos e especialistas.
Trump anunciou a adesão de 19 países, entre eles Arábia Saudita, Indonésia, Argentina e Paraguai, e afirmou ter convidado o Brasil. “Gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza”, disse o presidente norte-americano.
O governo brasileiro confirmou o recebimento do convite, mas informou que ainda realiza consultas internas e com aliados antes de decidir se aceitará a proposta. Não há prazo para um posicionamento oficial.

Apesar do aval da ONU, a iniciativa enfrenta resistência. A carta fundadora do conselho não menciona explicitamente a Faixa de Gaza e prevê Trump como presidente do órgão, com um conselho executivo formado majoritariamente por integrantes do governo dos EUA, o que levantou suspeitas de que o grupo possa esvaziar o papel da ONU.
Para especialistas, o convite coloca o Brasil diante de três dilemas principais: a falta de clareza sobre o funcionamento do conselho, o risco de retaliações comerciais dos Estados Unidos em caso de recusa e a possível perda de espaço regional, já que países vizinhos aderiram à iniciativa.
O assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, classificou a proposta como confusa e afirmou que ela pode representar uma ameaça ao sistema multilateral. “Seria como um Conselho de Segurança com um presidente praticamente permanente”, disse em entrevista ao jornal O Globo.
Analistas também apontam o risco de pressão econômica. Após críticas do presidente francês Emmanuel Macron à proposta, Trump ameaçou impor tarifas à França. O histórico recente preocupa o Brasil, que enfrentou sobretaxas de até 40% impostas pelos EUA no ano passado, posteriormente reduzidas após reaproximação entre Lula e Trump.
Por outro lado, há quem avalie que o custo de uma eventual recusa brasileira tende a ser limitado, já que outros países também demonstram resistência a uma iniciativa considerada pouco transparente.
No cenário regional, a adesão imediata de Argentina e Paraguai aumenta a pressão sobre o Brasil, que busca preservar sua liderança diplomática na América do Sul. Especialistas avaliam que a estratégia mais provável do governo Lula é adiar uma decisão, mantendo o convite em análise até que haja maior clareza sobre o papel e os limites do conselho.
Da Redação 98 FM com informações do Portal Terra