A Justiça da Itália decide nesta quarta-feira (11) sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. O caso é analisado pela Corte de Apelação de Roma. Presa desde julho de 2025, ela está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana.
A defesa informou que, caso a Corte autorize a extradição, apresentará recurso à Corte de Cassação italiana, instância máxima do Judiciário no país.
Na terça-feira (10), o mesmo tribunal rejeitou um pedido dos advogados para substituir os juízes responsáveis pelo processo. A defesa alegava “evidências de parcialidade” dos magistrados.
O julgamento já foi adiado quatro vezes. Segundo advogados ouvidos pela imprensa, a expectativa é de que o pedido brasileiro seja mantido, mas a estratégia da defesa é recorrer caso a decisão determine o retorno da ex-parlamentar ao Brasil.
Condenações no Brasil
Zambelli foi condenada no Brasil em dois processos com trânsito em julgado — quando não há mais possibilidade de recurso.
No primeiro caso, recebeu pena de 10 anos e 8 meses de prisão por ser apontada como autora intelectual da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
No segundo, foi condenada a 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após perseguir um homem nas ruas de São Paulo e apontar uma arma contra ele às vésperas das eleições de 2022.
Prisão na Itália
Após a condenação relacionada ao caso do CNJ, Zambelli deixou o Brasil e se estabeleceu na Itália. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a prisão preventiva da ex-deputada, pedido que foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O nome de Zambelli foi incluído na lista vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos internacionais.
Ela foi presa em 29 de julho de 2025, em um apartamento em Roma. Ao determinar a detenção, a Corte de Apelação de Roma apontou “grave risco de fuga” caso ela permanecesse em liberdade.
O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição, que agora é analisado pela Justiça italiana.
Em dezembro de 2025, o STF anulou a votação da Câmara dos Deputados que havia rejeitado o pedido de cassação do mandato. Antes da conclusão do processo, Zambelli renunciou ao cargo.
Da Redação 98 FM / Com informações do Metrópoles