O presidente do PT-PR e deputado estadual Arilson Chiorato pediu a cassação do mandato da vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL), após uma fala dirigida à vereadora Vanda de Assis (PT), durante debate na Câmara Municipal.
O episódio ocorreu na última quarta-feira (5), durante a discussão de um projeto que prevê a criação de um Cadastro Único para Pessoas em Situação de Rua. Durante o debate, Vanda de Assis criticava a proposta e concedeu parte de seu tempo de fala à colega Tathiana Guzella.
Na sequência, Tathiana questionou a origem da vereadora e afirmou: “Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, a senhora nasceu lá, mas vem encher o saco aqui.”
Após o episódio, Arilson Chiorato solicitou a cassação do mandato, alegando quebra de decoro parlamentar. O pedido foi protocolado pelo advogado Jualiano Pietzack, que representa o deputado na ação.
Segundo o documento, a conduta poderia ser enquadrada como quebra de decoro por ser incompatível com a dignidade da Câmara Municipal. O pedido cita o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, que prevê penalidades como censura pública, suspensão de prerrogativas, suspensão temporária do mandato e cassação.
Arilson classificou a declaração como xenófoba e afirmou que o caso deveria ser investigado e punido. “Não podemos aceitar que um parlamentar normalize discurso de ódio. Isso não é opinião. É crime e precisa ser investigado e punido”, declarou.
O documento também cita entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que a discriminação de brasileiros em razão da procedência regional nordestina pode configurar crime previsto na Lei nº 7.716/1989.
Vanda de Assis é apontada no pedido como a primeira mulher nordestina a ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Curitiba. Para Arilson, essa condição amplia o peso simbólico do episódio.