‘ECA Digital’ entra em vigor e amplia proteção de crianças e adolescentes na internet

Nova lei obriga plataformas a reforçar controle de idade, remover conteúdos nocivos e limitar publicidade para menores ( Pexels)

Entrou em vigor nesta terça-feira (17) o chamado “ECA Digital”, lei que amplia a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online em todo o país. A nova legislação responsabiliza diretamente as plataformas digitais pela segurança de usuários menores de idade e estabelece regras mais rígidas para redes sociais, jogos e aplicativos.

A medida cria mecanismos para reduzir a exposição de jovens a conteúdos inadequados e exige mudanças no funcionamento das empresas de tecnologia, que passam a ter obrigações mais claras no combate a práticas como violência, exploração sexual, cyberbullying e incentivo à automutilação.

O que muda na prática

Entre os principais pontos da nova lei estão:

  • Verificação de idade obrigatória: plataformas não poderão mais aceitar apenas a autodeclaração. Será necessário comprovar a idade do usuário por meios mais seguros.

  • Responsabilidade das empresas: redes sociais e aplicativos deverão monitorar e remover conteúdos prejudiciais de forma ativa, além de manter registros por pelo menos seis meses para ajudar em investigações.

  • Controle dos pais: contas de menores de 16 anos deverão estar vinculadas a um responsável legal. As plataformas também terão que oferecer ferramentas de controle parental, como limite de tempo, bloqueio de conteúdo e autorização para compras.

  • Fim da publicidade direcionada: será proibido usar dados de crianças e adolescentes para anúncios personalizados, além de vetar conteúdos considerados inadequados ou erotizados envolvendo menores.

  • Limites a jogos e mecanismos viciantes: recursos como “loot boxes” (caixas-surpresa pagas) terão restrições.

  • Mais transparência e fiscalização: a Autoridade Nacional de Proteção de Dados poderá aplicar advertências, multas e até pedir a suspensão de plataformas em casos graves.

Impacto para famílias e empresas

Especialistas avaliam que a lei muda a forma como a proteção de menores é tratada no Brasil. Antes concentrada nos pais, a responsabilidade agora também recai sobre as plataformas digitais.

Para crianças e adolescentes, a expectativa é de um ambiente online mais seguro, com menos exposição a conteúdos prejudiciais e publicidade abusiva.

Já para as empresas, o impacto é maior: será necessário investir em tecnologia, adaptar sistemas e revisar políticas internas para cumprir as novas exigências.

Desafios da aplicação

Um dos principais desafios será implementar a verificação de idade sem comprometer a privacidade dos usuários. Outro ponto de atenção é evitar que plataformas removam conteúdos em excesso para se proteger de punições.

Além disso, há preocupação com o impacto sobre empresas menores, que podem ter mais dificuldade para se adaptar às novas regras.

Contexto global

A criação do ECA Digital acompanha um movimento internacional de maior controle sobre plataformas digitais. Países como Austrália, França e Espanha já adotaram medidas semelhantes para restringir o acesso de menores às redes sociais.

No Brasil, a discussão ganha força diante do aumento de crimes virtuais. Dados apontam crescimento de mais de 28% nas denúncias em 2025, com destaque para casos de exploração infantil e violência online.

Especialistas consideram a nova lei um marco, mas ressaltam que o sucesso dependerá da forma como as regras serão aplicadas e fiscalizadas nos próximos anos.

Da Redação 98 FM News

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