Sete países, entre eles Arábia Saudita, Turquia e Egito, anunciaram que irão integrar o Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi confirmada em uma declaração conjunta. Israel também já confirmou oficialmente sua participação.
Segundo a agência Reuters, cerca de 35 líderes mundiais afirmaram publicamente que aceitaram o convite para integrar o novo órgão. O conselho foi lançado oficialmente nesta quinta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Durante o evento, Trump afirmou que as tensões globais vêm diminuindo. “Há um ano, o mundo estava em chamas. Agora, muitas ameaças estão se acalmando”, declarou, ao lado de líderes como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.
Inicialmente apresentado como uma iniciativa para apoiar o cessar-fogo entre Israel e o Hamas e coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza, o conselho passou a gerar controvérsia após a divulgação de seu estatuto, que não menciona explicitamente o território palestino e amplia o alcance do órgão para além do conflito.
Apesar disso, Arábia Saudita, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Paquistão e Catar afirmaram que o grupo tem como objetivo consolidar um cessar-fogo permanente em Gaza, apoiar a reconstrução e avançar em direção a uma “paz justa e duradoura”.
Trump afirmou ainda que o presidente russo, Vladimir Putin, teria aceitado o convite, mas o Kremlin informou que a proposta segue em análise. A Rússia sinalizou disposição para destinar US$ 1 bilhão em ativos congelados para iniciativas relacionadas ao conselho.
Até o momento, países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Argentina, Hungria, Marrocos e Vietnã já aderiram formalmente. Canadá e Reino Unido foram convidados, mas ainda não se manifestaram. O Vaticano confirmou que o papa Leão 14 recebeu o convite e avalia se participará.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva também foi convidado, mas o governo ainda não decidiu se aceitará. Trump afirmou que Lula teria um “grande papel” no órgão.
Em contrapartida, a Eslovênia anunciou que recusou a proposta, alegando que o conselho representa um risco à ordem internacional.
Um documento vazado aponta que o estatuto do Conselho da Paz entra em vigor após a adesão formal de três países e prevê mandatos de três anos, com possibilidade de assentos permanentes para países que contribuírem com US$ 1 bilhão. Trump será o presidente do órgão e terá poderes para nomear membros do conselho executivo.
A Casa Branca já anunciou sete integrantes do conselho executivo fundador, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Na segunda fase do plano, que prevê reconstrução e desmilitarização de Gaza, o ex-enviado da ONU Nickolay Mladenov foi indicado como representante do conselho. Israel, porém, criticou a composição do grupo e afirmou que decisões foram tomadas sem sua coordenação.
O cessar-fogo entre Israel e Hamas segue frágil. Desde sua entrada em vigor, autoridades de Gaza afirmam que mais de 460 palestinos morreram em ataques israelenses, enquanto Israel relata a morte de três soldados. A guerra começou após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos. A ofensiva israelense em Gaza já resultou em mais de 71 mil mortes, segundo autoridades locais.
Da Redação 98 FM News com informações da BBC News Brasil