A Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro e foi rebaixada para a Série Ouro. A decisão foi anunciada na apuração desta quarta-feira (18), após a escola estrear na elite das agremiações em 2026.
Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola contou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O carro abre-alas representou a região natal de Lula, no agreste pernambucano, destacando a escassez e a exuberância da região. Um dos carros fez críticas às políticas sociais do governo Bolsonaro e à gestão da pandemia. Na parte final do desfile, houve referência à prisão do ex-presidente.
No entanto, a escola enfrentou problemas na dispersão das alegorias. Algumas ficaram presas na saída da avenida, prejudicando o desfile da Imperatriz Leopoldinense, que desfilou em seguida.
Notas e pontuação
A Acadêmicos de Niterói encerrou a apuração com 264,6 pontos, a menor nota entre as escolas do Grupo Especial. Para efeito de comparação, a campeã Unidos do Viradouro somou 270 pontos, enquanto a Mocidade Independente de Padre Miguel terminou com 267,4 pontos. Durante a avaliação, a escola recebeu apenas duas notas 10.
Presença de Lula e Janja
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou o desfile no camarote da Prefeitura do Rio e chegou a descer à avenida. A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, não participou da apresentação. Ela seria representada no último carro, mas foi substituída pela cantora Fafá de Belém.
Alusões políticas e críticas
O desfile trouxe ainda referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como um preso em figurino listrado, com tornozeleira eletrônica, numa alusão a episódios recentes da justiça.
Além disso, uma das alas mais criticadas foi a “Neoconservadores em conserva”, que trouxe famílias dentro de latas, incluindo referências religiosas. Parlamentares, principalmente da bancada evangélica, classificaram a ala como preconceituosa.
Controvérsias e ações judiciais
O enredo da escola gerou pelo menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União, alegando propaganda eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos. O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que negou liminar para impedir o desfile, argumentando que a medida configuraria censura prévia.
Após a decisão, o PT orientou integrantes a evitar atos que pudessem ser interpretados como propaganda antecipada. O governo federal afirmou não ter participado da escolha do enredo e negou irregularidades no apoio financeiro às escolas, prática recorrente.
Depois do desfile, o presidente elogiou a apresentação nas redes sociais, enquanto a oposição anunciou novas medidas judiciais e criticou a exibição de conteúdo político na avenida. A escola também divulgou nota afirmando ter sofrido perseguição durante a preparação do carnaval por causa do tema escolhido.
Da Redação 98 FM News / Com Metrópoles e G1




