A Polícia Civil indiciou quatro jovens por estupro contra uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio. O crime aconteceu na noite de 31 de janeiro, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro.
Segundo o relatório final do inquérito da 12ª DP (Copacabana), foram indiciados Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho. Um adolescente também é investigado, mas, por ser menor de idade, não teve a identidade divulgada.
A Justiça decretou a prisão dos quatro adultos, que estão detidos.
O que diz a investigação
De acordo com o depoimento prestado pela vítima, na presença da avó, ela foi convidada por um colega de escola para ir ao apartamento de um amigo dele. O jovem teria pedido que ela levasse uma amiga, mas, como não conseguiu, ela foi sozinha.
Segundo o relato, ao chegar ao prédio, encontrou o rapaz na portaria e subiu com ele. No elevador, ele teria informado que outros amigos estavam no imóvel e insinuado que fariam “algo diferente”, proposta que ela afirma ter recusado.
No apartamento, a adolescente contou que foi levada a um quarto. Durante a relação com o jovem, outros três entraram no cômodo. Conforme o depoimento, eles passaram a tocá-la sem consentimento.
A vítima afirmou que foi forçada a praticar sexo oral e que houve penetração por parte dos quatro. Também relatou agressões físicas, incluindo tapas, socos e um chute na região abdominal. Em determinado momento, disse ter tentado sair do quarto, mas teria sido impedida.
Após deixar o local, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, procurou a avó e registrou o caso na delegacia.
Provas reunidas
A investigação teve acesso às imagens das câmeras de segurança do prédio, que mostram a entrada dos suspeitos e, posteriormente, a chegada da adolescente acompanhada pelo menor investigado.
As gravações também registram o momento em que a jovem deixa o apartamento. Segundo o relatório, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retorna ao imóvel e faz gestos descritos pelos investigadores como de comemoração.
Conversas por aplicativo de mensagens entre a vítima e o menor também foram anexadas ao inquérito. Nos diálogos, ele a convida para o encontro e pergunta se poderia chamar uma amiga. Ela responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ir sozinha.
O laudo de exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriações na região genital, além de equimoses nas regiões dorsal e glútea. Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.
Quem são os investigados
Entre os indiciados está Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, filho do ex-subsecretário estadual José Carlos Costa Simonin. O apartamento onde ocorreu o crime pertence ao ex-integrante do governo estadual, que foi exonerado após a repercussão do caso.
Vitor Hugo é estudante do Colégio Pedro II, que abriu processo administrativo para desligá-lo.
Mattheus Verissimo Zoel Martins é ex-aluno do colégio Intellectus e atleta do S.C. Humaitá (categoria sub-20). Ele também é investigado em outro caso de estupro coletivo, denunciado por uma jovem que afirma ter sido vítima quando tinha 14 anos.
João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, atuava como jogador no Serrano FC, que anunciou o afastamento imediato após a prisão.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti cursa Ciências Ambientais na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). A universidade informou a suspensão do estudante por 120 dias, proibindo sua circulação em espaços acadêmicos.
Um adolescente de 17 anos também é investigado. Até a última atualização, não havia mandado de apreensão contra ele.
O que dizem as defesas
A defesa de João Gabriel negou as acusações e afirmou confiar na apuração da Justiça. Mattheus permaneceu em silêncio durante o depoimento. Já a defesa de Vitor Hugo declarou que ele nega participação no crime, embora admita ter estado no apartamento, e que ainda não teve acesso integral aos autos.
O Governo do Estado informou que repudia o ato de violência e declarou que a Secretaria de Estado da Mulher presta apoio psicológico à vítima e à família.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
Casos de violência sexual e doméstica podem ser denunciados pelo telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher. Em situações de emergência, a orientação é acionar o 190.
A denúncia é fundamental para interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas.
DFa Redação 98 FM News / Com informações do Metrópoles / G1

