França abre investigações sobre rede ligada a Jeffrey Epstein por tráfico humano e crimes financeiros

Promotores franceses buscam evidências de possíveis conexões de franceses com Epstein (Foto: Reprodução)

Promotoria de Paris vai apurar possível envolvimento de cidadãos franceses após divulgação de novos arquivos sobre o caso

A França abriu duas investigações para apurar possíveis crimes ligados à rede do financista norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de explorar sexualmente menores. Os procedimentos foram anunciados nesta quarta-feira (18) pela promotora de Paris, Laure Beccuau, e incluem apurações sobre tráfico de pessoas e crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, corrupção e fraude fiscal.

Segundo Beccuau, em entrevista à rádio France Info, as investigações terão como base documentos tornados públicos recentemente, além de denúncias apresentadas por entidades de proteção à infância.

De acordo com o Ministério Público, cinco promotores irão analisar os arquivos divulgados para identificar indícios de que cidadãos franceses possam ter participado de crimes sexuais ou financeiros relacionados ao caso.

Histórico do caso

Epstein foi condenado em 2008 por solicitar prostituição de uma menor de idade e, em 2019, morreu por suicídio em uma prisão em Manhattan enquanto aguardava julgamento por novas acusações de tráfico sexual. Sua ex-associada, Ghislaine Maxwell, foi condenada nos Estados Unidos por recrutar e traficar meninas para abuso sexual ao longo de vários anos.

Em nota enviada por e-mail, o gabinete da promotora afirmou esperar que a repercussão do caso estimule vítimas que ainda não se manifestaram a procurar as autoridades.

Alvos e suspeitas

As autoridades francesas já abriram investigação preliminar contra o ex-ministro da Cultura Jack Lang e sua filha, Caroline, por suspeita de fraude fiscal.

Outros três casos também estão sob análise. Entre eles, a suspeita de que o diplomata francês Fabrice Aidan tenha transferido documentos das Nações Unidas a Epstein. O diplomata nega a acusação.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA incluem registros de voos e e-mails que indicam que Epstein viajava com frequência a Paris, onde mantinha um apartamento de luxo próximo ao Arco do Triunfo.

“A França tem um papel fundamental nesse caso, pois é o único país fora dos Estados Unidos onde Epstein possuía propriedades”, afirmou Homayra Sellier, da organização Innocence en danger, que atua no combate ao abuso sexual infantil e vinha pedindo a reabertura das investigações.

Investigações anteriores e novo cenário

A Justiça francesa já havia aberto uma investigação sobre as conexões de Epstein em 2019. O caso, no entanto, foi encerrado em 2023, após a morte de Jean-Luc Brunel — apontado como um dos principais suspeitos e associado de longa data do financista — em uma prisão francesa.

Agora, com a divulgação de novos documentos, os promotores reconhecem que o material ainda é incompleto e classificam a nova apuração como “um trabalho titânico”, sem garantia sobre os resultados.

Na terça-feira (17), um painel de especialistas independentes do Conselho de Direitos Humanos da ONU afirmou haver indícios da existência de uma “organização criminosa global” associada à rede de Epstein, com possíveis práticas que poderiam se enquadrar como crimes contra a humanidade.

Da Redação 98 FM News / Com informações do Portal R7

OUÇA AO VIVO
publicação legal

Agora disponibilizamos neste espaço, PUBLICAÇÕES LEGAIS, para que órgãos mucipais, estaduais, federais e privados publique seus documentos.