Governo Milei descarta pedido de desculpas ao Brasil após ataques a Lula e Alexandre de Moraes

Reprodução Youtube CNN Brasil

Segundo jornal argentino, Casa Rosada não pretende emitir retratação oficial pelas declarações do presidente Javier Milei durante evento político realizado em São Paulo

O governo da Argentina não pretende apresentar um pedido oficial de desculpas ao Brasil pelas declarações do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A informação foi publicada pelo jornal argentino La Nación nesta segunda-feira (27), em meio à crise diplomática entre os dois países.

De acordo com o veículo, uma fonte da Casa Rosada afirmou que “não haverá pedido de desculpas” pelas falas de Milei, que durante um evento político em São Paulo chamou Moraes de “lixo careca” e se referiu a Lula como “ladrão” e “presidiário”.

Outra fonte do governo argentino disse ao jornal que a estratégia pode ser evitar novas manifestações públicas sobre o episódio. “Talvez não dizer mais nada seja uma forma de desescalar a situação”, afirmou.

Brasil reage às declarações

Em resposta às declarações do presidente argentino, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre a situação das relações bilaterais.

A convocação é considerada, no âmbito diplomático, uma medida de forte sinalização de descontentamento diante da conduta de outro país.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), Bitelli deve desembarcar em Brasília nesta segunda-feira (27) para uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Discursos durante convenção do PL

Javier Milei esteve no Brasil no último sábado (25), quando participou da convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo. O evento oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato da legenda à Presidência da República.

Durante o discurso, o presidente argentino fez críticas e ofensas direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes.

As declarações provocaram reações de autoridades brasileiras. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, e o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, repudiaram publicamente as falas de Milei.

Na Argentina, o episódio também repercutiu. O governador da província de Buenos Aires e principal adversário político de Milei, Axel Kicillof, afirmou ter acompanhado o discurso com “vergonha alheia”.

Milei volta a criticar o Brasil

Apesar de integrantes do governo argentino defenderem uma postura de silêncio para reduzir a tensão diplomática, Milei voltou a fazer críticas ao Brasil no domingo (26).

Em entrevista à Rádio Mitre, o presidente argentino afirmou, sem apresentar provas, que o governo brasileiro, o México e integrantes do Partido Democrata dos Estados Unidos teriam financiado uma suposta “campanha anti-Argentina”.

Segundo Milei, o Brasil teria sido o principal responsável pelo financiamento.

“Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina? O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil”, declarou o presidente argentino durante a entrevista.

Da Redação 98 FM News/Com Metrópoles

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