Idoso morre após pinça ser deixada no corpo em cirurgia

Tomografia mostrou pinça cirúrgica dentro do corpo do paciente após cirurgia em João Pinheiro — Foto: Rádio Nova FM/Reprodução

A família de Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, acusa o Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, em João Pinheiro (MG), de erro médico, após o idoso morrer na véspera do Natal. Segundo os parentes, uma pinça cirúrgica teria sido esquecida no corpo do paciente após a primeira cirurgia, informação que só veio à tona depois do falecimento.

O paciente faleceu em 24 de dezembro, um dia antes de completar 69 anos, após passar por duas cirurgias na unidade. A família afirma que a morte poderia ter sido evitada e reivindica justiça e esclarecimentos sobre o ocorrido.

Histórico da internação

De acordo com o Boletim de Ocorrência, Manoel passou mal em casa no dia 4 de dezembro e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Exames apontaram a necessidade de cirurgia de urgência, realizada no dia 5 de dezembro, em que foi constatada uma úlcera gástrica.

O idoso permaneceu dois dias na UTI e depois foi transferido para o quarto. Durante a internação, apresentou dor intensa e sonolência excessiva, o que preocupou a cuidadora contratada pela família.

No dia 11 de dezembro, diante de suspeita de AVC, foi feita uma tomografia. Pouco depois, Manoel foi encaminhado às pressas para uma segunda cirurgia, sem que os familiares fossem informados dos motivos.

Após o procedimento, os médicos comunicaram que haviam retirado um dreno e pus da cavidade interna. O paciente voltou para a UTI, mas não resistiu, vindo a falecer treze dias após a primeira internação.

Exame revela possível erro médico

Segundo o advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, as medidas legais começaram após a divulgação de uma tomografia em uma rádio local, que indicaria a presença de instrumento cirúrgico dentro do corpo do paciente.

O advogado acompanha a investigação da Polícia Civil e informou que irá requisitar todos os prontuários, laudos, exames e registros clínicos e administrativos do hospital.

“A família não busca vingança, mas sim verdade, justiça e respeito à memória do senhor Manoel, bem como a proteção de outras vidas para que fatos semelhantes jamais se repitam”, afirmou o advogado.

A Polícia Civil declarou, por estar em regime de plantão, que não poderia fornecer informações sobre o caso no momento.

Nota da Prefeitura de João Pinheiro

A Secretaria Municipal de Saúde informou que Manoel deu entrada no hospital em estado grave, com vômitos com sangramento, sequelas neurológicas e rebaixamento do nível de consciência. Durante a internação, foi identificado um corpo estranho na cavidade abdominal, que motivou a segunda cirurgia.

Segundo a nota, o procedimento transcorreu sem intercorrências, e não foram constatadas perfurações ou danos às suturas do procedimento anterior. A prefeitura destacou ainda que o paciente apresentava comorbidades graves, como cardiopatia, diabetes, arritmia e sequelas de AVC, o que contribuiu para o desfecho.

A administração informou que foram reforçados protocolos de segurança, notificado o evento à ANVISA e aberta sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos.

“O Município manifesta sua solidariedade aos familiares e reafirma que permanece à disposição para prestar toda a assistência necessária, sempre pautado pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde pública”, diz a nota.

Com informações do G1

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