Paraná inicia uso do exame DNA-HPV na rede pública para ampliar prevenção do câncer de colo do útero
Com estimativa de 790 novos casos por ano no Paraná, o câncer de colo do útero tem como principal causa o HPV (Papilomavírus Humano). Para reforçar o combate à doença, o Estado passa a contar com uma nova estratégia de detecção precoce: o exame DNA-HPV na rede pública de saúde.
O Paraná está entre os 12 estados selecionados pelo Ministério da Saúde para a fase inicial de implantação da tecnologia, desenvolvida no Brasil pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), em parceria com a Fiocruz e o Governo do Estado.
Diferente do exame de Papanicolau, que identifica alterações nas células do colo do útero, o DNA-HPV detecta a presença do material genético dos tipos oncogênicos do vírus, ou seja, aqueles com maior risco de causar câncer. Isso permite identificar a infecção antes mesmo do surgimento de lesões, antecipando o acompanhamento médico.
Nesta primeira etapa, 235 pessoas realizaram o teste em Unidades Básicas de Saúde de Rio Branco do Sul e Curitiba. Dados preliminares apontam que cerca de 10% tiveram resultado positivo para HPV e foram encaminhadas para exames complementares, como colposcopia e citologia convencional.
A substituição gradual do Papanicolau pelo exame molecular começou em outubro de 2025 e deve ser ampliada progressivamente. A previsão do Ministério da Saúde é que, até dezembro de 2026, o novo rastreio esteja disponível em toda a rede pública.
Além da detecção mais precoce, o DNA-HPV permite maior intervalo entre os exames: enquanto o Papanicolau é feito anualmente e, após dois resultados normais, a cada três anos, o teste molecular pode ter intervalo de até cinco anos.
O público-alvo são mulheres cisgênero e pessoas com útero, incluindo homens trans, pessoas não binárias e intersexuais, com idades entre 25 e 64 anos e histórico de atividade sexual.
A vacina contra o HPV continua sendo fundamental na prevenção, protegendo contra o câncer de colo do útero e também contra câncer de pênis, ânus, uretra e garganta, além de verrugas genitais.
O Paraná mantém destaque na cobertura vacinal entre jovens de 9 a 14 anos. Em 2025, a imunização alcançou 98,76% das meninas e 91,25% dos meninos, superando a meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados podem receber a dose na etapa de resgate, que segue até junho de 2026.
Com Agência Estadual de Notícias