Inflação acelerada em setembro faz supermercado pesar mais no bolso

Na alimentação, a alta do tomate, da batata e do arroz, que pesou na cesta básica

Em Apucarana, fim do Bônus de Itaipu e bandeira amarela chegam à conta de luz. A capital Curitiba registra a menor inflação do Brasil em 12 meses, mas cesta básica sobe mais de 5% no mês, puxada por tomate e batata

A inflação voltou a acelerar no Brasil em setembro, mas o Paraná segue com o custo de vida mais controlado do país no acumulado do ano. Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,82% no mês, depois da deflação de 0,32% registrada em agosto. No ano, a inflação nacional soma 3,95%, e em 12 meses, 4,58%.

Paraná abaixo da média

Na Região Metropolitana de Curitiba, área do Paraná acompanhada pelo IBGE e referência para o estado, o IPCA de setembro foi de 0,63%, abaixo da média nacional. O dado mais significativo está no acumulado: a Grande Curitiba tem a menor inflação entre as 16 áreas pesquisadas no país, tanto em 2026, com 2,60%, quanto nos últimos 12 meses, com 2,72%.

O que chega a Apucarana

O IBGE não calcula a inflação de Apucarana separadamente, mas os principais fatores que pressionaram os preços em setembro também atingem o consumidor da cidade.

O maior deles está na conta de luz. O fim do desconto do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas de agosto, fez a energia elétrica residencial subir 7,98% no país, o maior impacto individual do IPCA do mês. Somado a isso, a bandeira tarifária amarela segue em vigor e acrescenta R$ 1,885 na conta a cada 100 kWh consumidos. Para uma casa que consome 150 kWh por mês, são cerca de R$ 2,83 a mais só com a bandeira.

Na alimentação, a alta do tomate, da batata e do arroz, que pesou na cesta da capital e no índice nacional, segue o movimento dos preços no atacado e tende a aparecer também nas gôndolas de Apucarana e região.

O INPC, que mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos, ficou em 0,69% na região em setembro, com acumulado de 2,22% em 12 meses, também o menor do país.

No supermercado, a conta é outra

Apesar do índice geral mais baixo, quem vai ao mercado sentiu a alta. Segundo o DIEESE, a cesta básica em Curitiba custou R$ 841,93 em setembro, alta de 5,39% em relação a agosto. No ano, o aumento chega a 14,10%, e em 12 meses, a 11,43%.

Os maiores vilões foram o tomate, que ficou 53,71% mais caro em um mês, e a batata, com alta de 41,63%. O arroz agulhinha subiu 9,27%. Na outra ponta, banana, leite integral, café em pó e manteiga ficaram mais baratos.

Para comprar a cesta, um trabalhador que recebe o salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 114 horas e 16 minutos, o equivalente a 56,15% do salário líquido.

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