Irã marca 1ª execução de manifestante preso em protesto contra governo

Erfan Soltani, de 26 anos, foi detido em casa e condenado à morte em processo acelerado, segundo organizações de direitos humanos (Reprodução redes sociais)

O governo do Irã deve executar nesta quarta-feira (14) o jovem Erfan Soltani, de 26 anos, preso durante os protestos contra o regime dos aiatolás que sacodem o país desde o fim de 2025. A informação foi divulgada pela organização curdo-iraniana Hengaw para os Direitos Humanos, que acompanha casos de repressão e denúncias de abusos no país.

Segundo a ONG, Soltani foi detido em sua residência, na cidade de Fardis, distrito de Karaj, em 8 de janeiro. Apenas quatro dias depois, a família foi notificada de que a execução já estava marcada. Parentes afirmam não ter recebido informações sobre as acusações, nem acesso a detalhes do processo judicial.

“Sua família só soube, poucos dias após a prisão, que a execução está marcada para esta quarta-feira. Eles estão sendo privados de qualquer informação sobre as acusações, o processo ou os procedimentos judiciais”, afirmou a Hengaw.

De acordo com a ONG, o jovem não teve acesso a advogado e tampouco pôde exercer seu direito de defesa. A irmã de Soltani, que é advogada, tentou acompanhar o caso pelos canais legais, mas foi impedida de acessar os autos. Antes da execução, a família teve apenas uma breve visita de cerca de 10 minutos.

Quem é Erfan Soltani

Erfan Soltani tem 26 anos e mora em Fardis, na região metropolitana de Teerã. Segundo familiares, ele não possuía envolvimento com organizações armadas ou atividades violentas. Sua prisão ocorreu no contexto dos protestos que começaram como reação à crise econômica, marcada por inflação alta e desvalorização do rial, mas que rapidamente se transformaram em um movimento de contestação ao regime teocrático iraniano.

Organizações de direitos humanos afirmam que Soltani foi julgado por tribunais ligados à Guarda Revolucionária Islâmica, sob acusações como “travar guerra contra Deus” — tipificação frequentemente usada para punir dissidentes políticos. A Hengaw classifica o processo como rápido, opaco e sem garantias legais mínimas, em clara violação do direito internacional dos direitos humanos.

Protestos e repressão no Irã

Os protestos no país duram há pelo menos 16 dias e já atingiram 187 cidades em todas as 31 províncias iranianas. Relatos de organizações independentes indicam que a repressão resultou em milhares de mortes, embora os números variem amplamente:

  • Estimativas conservadoras apontam cerca de 650 mortos;

  • A imprensa internacional fala em pelo menos 2 mil vítimas;

  • A ONG Iran Human Rights projeta até 6 mil mortos e mais de 10 mil detidos, com base em casos confirmados e projeções diante do bloqueio de informações.

Desde 8 de janeiro, o governo impôs um apagão quase total da internet, dificultando a comunicação e a verificação independente dos fatos. Mesmo assim, relatos que chegam ao exterior descrevem cenas de violência extrema, incêndios em prédios públicos e ruas tomadas por manifestantes. Moradores da cidade de Rasht, na costa do Mar Cáspio, relatam áreas inteiras destruídas e corpos deixados do lado de fora de hospitais.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou estar “horrorizado” com a repressão e com o uso da pena de morte contra participantes de protestos pacíficos. Organizações internacionais alertam ainda para o risco de execuções em massa de manifestantes detidos.

Com informações do Metrópoles

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