Uma mãe foi presa em Centenário do Sul, no norte do Paraná, após agredir suas duas filhas adolescentes no meio da rua. O caso ocorreu no dia 10 de janeiro, depois que as jovens, de 12 e 15 anos, se recusaram a acompanhar a mãe a uma festa em Jaguapitã, cidade a cerca de 45 km do local.
A agressão foi registrada por câmeras de segurança. Durante o ataque, a mulher chamou uma das filhas de “macaca” e desferiu socos, tapas e empurrões. Para preservar a identidade das vítimas, o vídeo da agressão não foi divulgado.
Segundo documentos do processo, após a violência inicial, as adolescentes buscaram ajuda na casa da avó. Mais tarde, durante a noite, avó e netas encontraram a mãe em outra festa na região. Nessa ocasião, a mulher voltou a agredir as filhas e tentou forçá-las a entrar em um carro, mas elas conseguiram fugir a pé e se abrigaram na casa de uma conselheira tutelar.
No dia seguinte, a Polícia Militar acompanhou as adolescentes até a residência da mãe para que pudessem retirar pertences pessoais. No local, a mulher foi encontrada desacordada, e a polícia suspeita que estivesse sob efeito de álcool e drogas. Ao acordar, apresentou comportamento extremamente alterado e ameaçou a conselheira tutelar.
Diante da situação, as adolescentes foram transferidas para outra cidade, sob os cuidados da avó. Segundo o Conselho Tutelar, as jovens já haviam deixado o lar em outras ocasiões devido a episódios de violência recorrente.
O caso foi registrado na Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público do Paraná, que considerou que as adolescentes estavam em situação de risco. Em 13 de janeiro, a prisão preventiva da mãe foi decretada.
A mulher irá responder pelos crimes de lesão corporal no âmbito doméstico e injúria racial.
De acordo com o documento da Justiça:
“A reiteração criminosa é evidente e o comportamento da representada — que perseguiu as filhas em local público e ameaçou agentes de proteção — demonstra que medidas menos gravosas são insuficientes. A liberdade da genitora representa risco imediato à vida e à dignidade das menores, que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade.”
Violência recorrente
O caso não é isolado. A mãe já respondia a outro processo por agressão às mesmas filhas, ocorrida em outubro de 2024. Na ocasião, ela atacou as adolescentes com garfadas no braço, mordidas e tapas no rosto, deixando múltiplas lesões, incluindo escoriações e hematomas. A ocorrência foi registrada na Polícia Civil.
Em junho de 2025, o Ministério Público denunciou a mulher pelos crimes de lesão corporal no âmbito doméstico, qualificada por motivo fútil, e solicitou que cada adolescente recebesse R$ 5 mil por danos morais. A denúncia foi aceita pelo Poder Judiciário no mês seguinte, e a audiência está prevista para março de 2026.