O mercado de locação em Apucarana vive um paradoxo neste início de ano. Enquanto a inflação oficial do país (IPCA) acumulada em 12 meses gira em torno de 4,26%, o preço para fechar um novo contrato de aluguel subiu mais que o dobro disso. Acompanhando a tendência nacional apontada pelo Índice FipeZap, a alta média para novos inquilinos beira os 10%.
Para o apucaranense que precisa se mudar agora, o cenário exige pesquisa e calculadora na mão. O “descolamento” entre a renda média e o valor do aluguel é visível, especialmente em imóveis menores e verticais.
A “Inflação do Apartamento”
Uma sondagem de mercado realizada nos principais bairros de Apucarana revela uma distorção de preços entre casas e apartamentos. A segurança dos condomínios e a localização central cobram um preço alto.
Atualmente, um apartamento padrão de 2 dormitórios na região central ou em áreas nobres (como próximo ao Colégio São José ou áreas não tão londe do centro) tem valores oscilando entre R$ 1.200,00 e R$ 1.500,00 (sem contar o condomínio).
Em contrapartida, nos bairros residenciais, o inquilino encontra casas de alvenaria, muitas vezes com 3 dormitórios e quintal, por valores entre R$ 900,00 e R$ 1.100,00. Ou seja: em Apucarana, morar em apartamento custa, em média, 30% mais caro do que morar em casa, considerando o custo-benefício do espaço.
O “Efeito Universitário” e a armadilha da Kitnet
Com a aproximação do ano letivo da UTFPR, Unespar e Facnopar, a “Cidade Alta” vê uma explosão na demanda por imóveis compactos. É neste nicho que mora a maior inflação do metro quadrado da cidade. Seguindo a lógica nacional, quanto menor o imóvel, mais caro ele é proporcionalmente. Uma kitnet mobiliada ou estúdio de 30m² próximo às universidades pode chegar a custar R$ 1.000,00.
Para especialistas do setor, a conta não fecha para quem mora sozinho. “Para o estudante que chega à cidade, a tendência para 2026 é a volta das repúblicas. Financeiramente, compensa muito mais três estudantes dividirem uma casa espaçosa de R$ 1.500,00 do que cada um pagar R$ 1.000,00 num cubículo”, avaliam corretores locais.
O lado bom: Alívio para contratos antigos
Se a notícia é dura para quem procura casa, ela é animadora para quem já está estabelecido. A maioria dos contratos de aluguel em vigência em Apucarana é reajustada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado).
Diferente da inflação do dia a dia, o IGP-M acumulado encerrou o período com variação negativa de -1,05%. O que isso significa na prática? Pela lei, se o seu contrato faz aniversário em janeiro e é regido por este índice, o seu aluguel não pode subir.
Cenário 1: O proprietário mantém o valor congelado (reajuste zero).
Cenário 2: O inquilino pode exigir a aplicação do índice negativo, reduzindo levemente a parcela.
A orientação do Procon e de advogados imobiliaristas é clara: o inquilino com contrato antigo não deve aceitar reajustes baseados na “alta de mercado” ou na “valorização do imóvel”. O que vale é o índice assinado no contrato.
SERVIÇO: Dicas para economizar no aluguel em Apucarana
Fuja do “Miolo”
Imóveis a apenas 5 ou 10 minutos de caminhada do centro ou das universidades podem ser até 20% mais baratos que os localizados “na cara do gol”.
Aposte na Casa de Bairro:
Se a segurança do prédio não for prioridade absoluta, casas em bairros consolidados (como Vila Nova, Jardim Apucarana ou Igarapava) oferecem o melhor custo por metro quadrado da cidade.
Negocie o Índice:
Vai alugar agora? Tente fugir do IGP-M no contrato novo. Prefira contratos reajustados pelo IPCA, que é um índice mais estável e menos sujeito às variações do dólar.
Da Redação 98FM