A jornalista e ativista norte-americana Gloria Steinem, uma das principais e mais conhecidas vozes do movimento feminista dos Estados Unidos, morreu aos 92 anos, em Nova York.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira, dia 3, pela fundação que leva o nome da ativista. Segundo a entidade, Steinem morreu na quarta-feira, dia 2, de forma pacífica, em sua casa, cercada por pessoas próximas. A causa da morte não foi divulgada.
Durante mais de cinco décadas, Gloria Steinem atuou na defesa dos direitos das mulheres, dos direitos reprodutivos e de uma maior participação feminina na política. Ela também foi responsável pela criação de organizações e publicações que se tornaram referências na luta pela igualdade de gênero.
Steinem ganhou projeção no final da década de 1960, durante a chamada segunda onda do feminismo nos Estados Unidos. A partir daquele período, tornou-se uma das principais líderes do movimento, participando de manifestações e campanhas que contribuíram para mudanças políticas e sociais no país.
Uma das iniciativas mais conhecidas de Steinem foi a fundação da revista Ms., criada na década de 1970 e dedicada à cobertura de temas relacionados às mulheres e ao feminismo.
Antes de se tornar uma ativista de projeção internacional, Steinem construiu carreira como jornalista. Ela contou posteriormente que decidiu entrar no ativismo depois de ter reportagens sobre o movimento feminista rejeitadas por editores. Em entrevista à Associated Press, em 2015, afirmou que teria permanecido apenas na escrita se tivesse encontrado espaço para publicar seus trabalhos sobre o tema.
Na década de 1960, Steinem também realizou reportagens de grande repercussão. Em 1963, investigou as condições de trabalho no império da revista Playboy, de Hugh Hefner. Para produzir a reportagem, chegou a trabalhar disfarçada como uma das chamadas “coelhinhas da Playboy” durante 11 dias.
Em 1968, publicou na New York Magazine o artigo “Depois do ‘Black Power’, a Libertação das Mulheres”, texto que ajudou a consolidar sua posição como uma das principais líderes feministas daquele período.
Pouco depois, Steinem ganhou destaque nacional ao aparecer na capa da revista Newsweek, que a apresentou como “A Nova Mulher”.
Ao longo de sua trajetória, Gloria Steinem tornou-se uma referência internacional na defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero. Sua atuação marcou profundamente o movimento feminista norte-americano e influenciou gerações de ativistas, jornalistas e lideranças políticas.