Artista teve mais de cinco décadas de carreira no teatro, rádio, cinema e televisão; filho de Paulo Gracindo, ele participou da inauguração da TV Globo e atuou em novelas como ‘O Casarão’, ‘Mandala’ e ‘O Salvador da Pátria’

O ator e diretor Gracindo Jr. morreu aos 83 anos na noite desta terça-feira (1º), em sua casa, no Rio de Janeiro. O falecimento foi confirmado por Pedro Gracindo, um dos filhos do artista. Segundo a família, a morte ocorreu por causas naturais. Gracindo Jr. deixa a esposa, Daisy Poli, com quem era casado havia mais de 50 anos, cinco filhos e sete netos.
O velório será aberto ao público nesta quinta-feira (3), a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio. A cremação está prevista para as 14h10.
Com mais de 50 anos dedicados às artes, Gracindo Jr. construiu uma trajetória que passou pelo rádio, teatro, televisão e cinema. Além da atuação, trabalhou como redator, produtor e diretor.
Início no rádio e estreia no teatro
Registrado como Epaminondas Xavier Gracindo, o artista nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943. Filho do consagrado ator Paulo Gracindo, ele cresceu em um ambiente ligado à comunicação e às artes.
Aos 15 anos, em 1959, fez um teste para a Rádio Nacional, onde o pai já era um dos nomes conhecidos. Foi aprovado e passou a trabalhar na emissora como ator, redator e disc-jóquei.
Embora tenha cursado Psicologia, Gracindo Jr. não seguiu carreira na área. A arte tornou-se sua profissão.
Em 1961, estreou no teatro com a peça A Escada, de Oswald de Andrade. Ao longo da carreira, participou de mais de 20 montagens como ator, produtor ou diretor.
Pioneiro da TV Globo
Um dos capítulos mais marcantes da trajetória de Gracindo Jr. aconteceu em 1965, quando ele integrou o primeiro elenco da TV Globo, inaugurada naquele ano.

Em entrevista ao projeto Memória Globo, o artista contou que já havia sido contratado pela emissora antes de sua estreia oficial.
Na televisão, participou de algumas das primeiras produções da Globo, entre elas Rosinha do Sobrado (1965), Padre Tião (1966), A Rainha Louca (1967), A Próxima Atração (1970) e Os Ossos do Barão (1973).
Na novela Os Ossos do Barão, contracenou com o pai. Os dois também trabalharam juntos em O Bem-Amado (1973) e O Casarão (1976).
Em O Casarão, Gracindo Jr. interpretou João Maciel em sua juventude, enquanto Paulo Gracindo viveu a versão mais velha do personagem. O papel foi um dos primeiros grandes destaques do ator.
Da frente das câmeras à direção 
Depois de O Casarão, Gracindo Jr. passou uma temporada em Portugal. Ao retornar, ampliou sua atuação nos bastidores da televisão.
Em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo. No ano seguinte, começou a dirigir novelas, comandando Memórias de Amor, de Wilson Aguiar Filho, e Marron-Glacé, de Cassiano Gabus Mendes.
A experiência como diretor se estendeu por diferentes formatos. Em 1983, dirigiu Os Trapalhões e, na mesma década, participou como diretor e apresentador dos primeiros videoclipes musicais produzidos para o Fantástico.
Em 1980, também escreveu e atuou na peça Paulo Gracindo, Meu Pai, criada em homenagem aos 50 anos de carreira do pai.
Novelas e personagens marcantes
Como ator, Gracindo Jr. esteve em produções de diferentes emissoras e acumulou personagens ao longo de várias décadas.
Na Globo, participou de trabalhos como Jogo da Vida (1982), Quem Ama Não Mata (1982), Bandidos da Falange (1983), Mandala (1987), O Salvador da Pátria (1989), Araponga (1990), Rainha da Sucata (1990), Gente Fina (1990), Deus nos Acuda (1992), Explode Coração (1995), Anjo de Mim (1996), Esplendor (2000) e Celebridade (2003).
Em Mandala, interpretou Creonte, um dos vilões da trama de Dias Gomes e Marcílio Moraes.
Já em O Salvador da Pátria, viveu Ricardo Ribeiro, marido da professora Clotilde, personagem de Maitê Proença, e rival de Sassá Mutema, interpretado por Lima Duarte.
Gracindo Jr. também acumulou funções. Em Explode Coração, além de atuar, trabalhou na direção.
A partir de 2006, passou a integrar produções da Record, entre elas Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo (2009) e a minissérie Rei Davi (2012).

Passagem pelo cinema
A carreira do artista também incluiu participações em filmes nacionais e produções internacionais.
Entre os trabalhos estão Os Homens que eu Tive (1973), As Moças Daquela Hora (1973), O Dia Marcado (1977), Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), Tensão no Rio, O Trapalhão na Arca de Noé (1983), Floresta das Esmeraldas (1985), Buena Sorte (1986), Desterro (1991), A Hora Marcada (2000), Bufo e Spalanzani (2001), A Selva (2004), Primo Basílio (2006) e Segurança Nacional (2010).
Ao longo de mais de cinco décadas, Gracindo Jr. manteve uma carreira marcada pela atuação em diferentes áreas da produção artística, seguindo os passos do pai, mas também construindo sua própria trajetória no teatro, no rádio, na televisão e no cinema.

Homenagem ao pai e legado artístico
A relação profissional e pessoal com Paulo Gracindo esteve presente em diferentes momentos de sua carreira. Ao falar sobre o pai, Gracindo Jr. destacou a importância que ele dava ao trabalho e à responsabilidade profissional.
“Meu pai trabalhou por 65 anos, e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso”, afirmou em depoimento sobre o artista, que morreu em setembro de 1995.
Mais de três décadas depois, Gracindo Jr. deixa uma trajetória própria na dramaturgia brasileira, marcada pela presença diante e atrás das câmeras e por uma carreira que acompanhou diferentes fases da televisão no país.
Da Redação 98 FM News/Com Metrópoles/G1