O boiadeiro urbano de Apucarana

Quem passa pela região do Residencial Cazarin já se acostumou a ver várias cabeças de gado pastando em alguns terrenos do local. Terrenos que, aliás, contam com capim de boa qualidade para uma pastagem adequada para o gado. (Veja o vídeo no final da reportagem)

Essa boiada que vive por ali soma mais de 100 cabeças de gado. Se engana quem pensa que estão ali por enfeite ou porque escaparam de algum local. Trata-se de gado de corte, com alto valor comercial.

Mas por que existe uma boiada tão grande em meio a um bairro residencial de tamanho prestígio? Para entendermos essa história, fomos conhecer o dono desse gado, o agricultor e pecuarista Francisco Cazarin. O seu Francisco explica logo de cara o porquê desse gado viver ali.

“Aqui onde hoje é o bairro era a fazenda da minha família. Meu pai, Ibarale Cazarini, comprou essas terras no ano de 1940, e desde então nossa família se enraizou aqui. Então, podemos dizer que a boiada chegou muito antes das casas”, salienta.

Ele também conta que sempre criou gado na região, mas que passou a manejar os animais nos lotes de terra que hoje estão às margens das ruas e da avenida que cortam o bairro após o local se tornar um residencial.

“Até 2014, plantávamos soja por aqui. Mas devido às mudanças e ao loteamento do bairro, eu não posso mais plantar soja neste local. Então encontrei a solução, plantando capim nos meus terrenos e aumentando a extensão das minhas áreas de pastagem”, conta.

Esse tanto de animais traz bastante trabalho para o dia-a-dia. Para dar conta dessa missão – e de outras que existem no sítio – o seu Chico tem um grande parceiro. O capataz Reginaldo Siqueira, que há 37 anos trabalha para o seu Francisco e na mesma propriedade.

“Já são 37 anos trabalhando aqui. A gente cuida do gado, das plantações, de tudo mais que faz parte da vida na roça”, conta.

O Reginaldo está sempre próximo à boiada quando os animais estão nas pastagens acima da avenida. Sempre atento para qualquer eventualidade. O capataz também conta que o trabalho deles é de alto nível.

“O intuito de uma boiada é gerar lucro, certo? E esses animais que a gente trata aqui, desde o nascimento até chegar no momento da engorda, produzem carne de primeira qualidade”.

ROTINA DOS BOIADEIROS URBANOS

Como em qualquer propriedade rural, a rotina por aqui começa bem cedo. Os animais sempre dormem no pasto que fica anexo à propriedade rural do seu Chico.

No início do dia, por volta das 7h30, diariamente eles atravessam a avenida para que o gado se alimente das pastagens do outro lado, gerando assim um ciclo sustentável de pastagens.

Após o almoço, por volta das 13h30, o gado faz novamente a travessia para o grande pasto. A imagem da travessia é sempre um espetáculo à parte.

ATRAÇÃO TURÍSTICA: TURISMO URBANO OU RURAL?

Com tantos animais e tão próximo do principal ponto turístico de Apucarana, o Lago Jaboti, é natural que muitos curiosos e amantes dos animais parem no local para observar e registrar as cenas.

“Muitas pessoas nunca tiveram uma oportunidade de ver um animal no pasto. Tem dias que aqui tá cheio de criança e de famílias tirando fotos e olhando os animais no pasto”, conta o boiadeiro urbano Chico Cazarin.

O fato é que, além da paisagem peculiar mesclando casas e sobrados de alto nível com gado pastando e do lucro que o seu Chico tira com os animais, não é todo dia que se encontra uma boiada tão urbana assim. Apucarana e seus tesouros escondidos…

Por Louan Brasileiro

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