O trânsito de Apucarana tem registrado um aumento preocupante na violência sobre duas rodas, um cenário que atinge em cheio a juventude local. O cruzamento de dados oficiais de resgate revela não apenas um crescimento no volume absoluto de sinistros, mas também um salto percentual na participação de motocicletas nas colisões urbanas. O agravante dessa estatística é a presença constante de condutores e passageiros que sequer atingiram a maioridade legal para assumir o guidão.
Um levantamento detalhado dos boletins de ocorrência do 11º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM) evidencia a escalada do problema. No período analisado de 1º de janeiro a 9 de março de 2025, a corporação atendeu a 47 acidentes de trânsito em diversas vias da cidade. Desse total, 34 ocorrências envolveram diretamente o uso de motocicletas. Isso significa que, no primeiro trimestre do ano passado, as motos representavam 72,3% dos sinistros registrados nesta amostragem.
Ao observar o mesmo recorte temporal em 2026 — de 2 de janeiro a 7 de março —, os números indicam uma piora substancial. De acordo com informações oficiais no boletim do Corpo de Bombeiros do Paraná, o volume total de acidentes saltou para 59 registros documentados pelos socorristas. Mais alarmante ainda é a fatia ocupada pelos veículos de duas rodas: 48 desses acidentes envolveram motociclistas. A proporção, que já era alta, subiu para 81,3% de todas as colisões do período. Em números absolutos, os acidentes com motos cresceram mais de 41% de um ano para o outro.
Dentro dessa realidade de emergências diárias, os boletins expõem a vulnerabilidade dos mais jovens. Os registros de 2025 já confirmavam o resgate de jovens de 18 anos feridos em colisões envolvendo motocicletas e automóveis. Em 2026, a precocidade no trânsito se manteve registrada em documentos oficiais: no dia 19 de janeiro, por exemplo, uma adolescente de apenas 16 anos sofreu ferimentos em um acidente envolvendo duas motocicletas e dois veículos maiores na Rua Nova Ukrania.
Futuros interrompidos: a tragédia dos menores no trânsito
O alerta emitido pelos números diários de feridos leves e moderados tomou contornos dramáticos no início de março de 2026, quando a estatística se transformou em luto irreversível para famílias da região. O envolvimento de adolescentes na condução de motocicletas resultou em fatalidades consecutivas que chocaram a comunidade de Apucarana e do Vale do Ivaí.
Na noite de 3 de março, a Avenida Minas Gerais — uma das vias com maior incidência de acidentes da cidade — foi palco de uma grave colisão transversal entre uma motocicleta e uma picape. O condutor da moto, um adolescente de apenas 16 anos, morreu no local. O passageiro, de 15 anos, foi socorrido em estado grave. Apenas quatro dias depois, no dia 7 de março, outra vida jovem foi perdida: um adolescente de 17 anos faleceu de forma instantânea após a moto que pilotava colidir com um carro na BR-376, nas proximidades do acesso a Novo Itacolomi.
Para especialistas e autoridades de segurança, episódios como esses expõem as consequências da inexperiência aliada à imprudência. O Código de Trânsito Brasileiro é rigoroso quanto à entrega de veículos a condutores inabilitados, mas os números crescentes de Apucarana mostram que a fiscalização nas ruas precisa urgentemente do reforço da conscientização dentro de casa.
Da Redação 98FM