Mesmo na era do celular e do 5G, os antigos orelhões ainda fazem parte do cenário urbano do Paraná. Ao todo, o estado mantém pouco mais de dois mil telefones públicos em funcionamento, número muito inferior ao que existia há duas décadas e que segue em rápida queda.
Nesse contexto, esperando o fim de uma era, Apucarana ainda chama atenção. O município possui 89 orelhões ativos, número considerado alto para os padrões atuais. Eles estão distribuídos entre o centro, bairros e regiões mais afastadas, onde o sinal de celular nem sempre é estável.
No interior do Estado a maior concentração ainda está em Londrina e Maringá, que somam centenas de aparelhos espalhados por bairros, terminais de transporte e áreas centrais. Arapongas também mantém algumas dezenas de unidades, principalmente em pontos de grande circulação.
Para muitos moradores, os telefones públicos já fazem parte do passado. Para outros, ainda representam uma alternativa em situações de emergência, quando o celular está sem bateria, sem crédito ou fora de área. A tendência, no entanto, é clara: os orelhões estão cada vez mais raros. Com a mudança nas regras do setor de telecomunicações e o uso quase universal do celular, os aparelhos começam a ser retirados das ruas, encerrando um ciclo que marcou gerações.
Por que vão acabar
A retirada, que se intensificou agora em janeiro de 2026, não é apenas por falta de uso, mas por uma mudança contratual profunda:
Migração de Regime: As operadoras (como a Oi, que atua na região) mudaram seu regime de “concessão” para “autorização”. Isso as desobriga de manter aparelhos obsoletos que geram alto custo de manutenção e baixo retorno.
O Fim das Peças: Ficou quase impossível encontrar peças de reposição para aparelhos projetados nos anos 90.
Vandalismo: Em todo o Brasil, a depredação acelerou a desativação de muitos pontos antes mesmo do prazo oficial. Como exemplo disso, fato inusitado ocorreu em outubro de 2025 em Apucarana. No caso, um homem foi preso pela Guarda Civil Municipal (GCM), após desmontar um orelhão e tentar vender as peças como ferro velho.
Como falar de graça (enquanto eles duram)
Um detalhe que muitos moradores esquecem: desde que as operadoras deixaram de cumprir metas de universalização anos atrás, as ligações locais e de longa distância para telefones fixos passaram a ser gratuitas nos orelhões ativos. Se você encontrar um funcionando na Praça Central ou perto de um posto de saúde, pode testar: ele provavelmente não exigirá cartão para completar chamadas fixas.
Curiosidade: O Paraná chegou a ter mais de 2.200 orelhões ativos até meados de 2024, mas a previsão é que, até o fim de 2026, apenas os aparelhos em “áreas de interesse social” (como aldeias e comunidades isoladas) permaneçam de pé.
Da Redação – 98FM