A Polícia Civil divulgou nesta quinta-feira (19) imagens que mostram o momento em que a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi atacada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira, preso suspeito de matá-la (veja o vídeo acima). A vítima desapareceu por mais de 40 dias antes que seu corpo fosse encontrado em uma área de mata a cerca de 15 km de Caldas Novas, no sul de Goiás.
Segundo a investigação, o crime foi planejado. Cléber estava à espera de Daiane no subsolo do prédio, usando luvas e posicionando o carro estrategicamente para rendê-la. O ataque ocorreu quando ela foi verificar uma queda de energia nos quadros de luz do prédio, após enviar um vídeo a uma amiga mostrando que descia no elevador.

A polícia confirmou que Daiane foi morta com dois tiros na cabeça, disparados provavelmente fora do prédio, o que explica a ausência de barulho no local. A arma usada foi uma pistola semiautomática .380, sendo que uma bala ficou alojada na cabeça da vítima e a outra saiu pelo olho esquerdo, segundo o superintendente da Polícia Científica, Ricardo Matos.
Descoberta do celular e vídeos
O celular de Daiane foi encontrado dentro de uma tubulação de esgoto no subsolo do prédio, 41 dias após o crime, indicado pelo próprio síndico. A perícia restaurou os dados, incluindo o vídeo em que o ataque ocorre, que não havia sido enviado a terceiros. Esse material foi fundamental para comprovar que o crime foi premeditado e executado como uma emboscada.
O delegado João Paulo Mendes explicou que o posicionamento do carro, a presença de luvas e a estratégia do síndico reforçam a tese de planejamento. “Ele posicionou o carro mais próximo ao local onde pretendia render Daiane”, afirmou.
Prisão e desdobramentos
Cléber e o filho, Maicon Douglas de Oliveira, foram presos no dia 28 de janeiro, no prédio onde a vítima morava. O síndico confessou o assassinato e indicou onde o corpo havia sido deixado. O filho foi suspeito de ajudar na ocultação de provas, mas a polícia descartou sua participação direta no crime e ele deve ser solto. A defesa de Cléber informou que só se manifestará após análise de todos os documentos e do relatório final da investigação.
Durante a investigação, a polícia realizou perícias no subsolo do prédio, no carro do síndico e na área onde o corpo foi encontrado. A recuperação do último vídeo de Daiane foi considerada a etapa final que permitiu comprovar a execução premeditada do crime.
Motivação e histórico de conflitos
Segundo a polícia, Cléber e Daiane tinham histórico de atritos relacionados à administração de seis apartamentos da família da corretora. Anteriormente, o síndico gerenciava os imóveis, mas a gestão foi transferida para Daiane, o que gerou conflitos que resultaram em 12 processos na Justiça.
Durante o desaparecimento de Daiane, o Ministério Público de Goiás denunciou Cléber por perseguição, alegando que ele teria usado o cargo de síndico para dificultar a rotina da corretora, vigiando-a por câmeras do condomínio e submetendo-a a constrangimentos.
A Polícia Civil reforça que toda a investigação foi conduzida com base em provas técnicas, imagens de câmeras de segurança e análise detalhada dos dados do celular da vítima, apontando Cléber como responsável direto pelo homicídio premeditado.
Da Redação 98 FM News / Com R7 e G1