A Polícia Civil prendeu, na manhã desta segunda-feira (9), um piloto de 60 anos suspeito de integrar e liderar uma rede de exploração sexual e pornografia infantil. A prisão ocorreu dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, durante a operação “Apertem os Cintos”, deflagrada pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com as investigações, o suspeito atuava no esquema criminoso há pelo menos oito anos. A polícia aponta que ele mantinha contato direto com vítimas e utilizava documentos falsos para levá-las a motéis.
Durante a ação, uma mulher de 55 anos também foi presa. Segundo a polícia, ela é avó de três meninas, de 10, 12 e 14 anos, e teria “vendido” as netas ao piloto. As crianças, conforme os investigadores, foram submetidas a situações graves de abuso e exploração sexual.
Ao todo, a operação cumpre oito mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Guararema, na região metropolitana, contra quatro investigados. Além das prisões temporárias, a polícia apura crimes como estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição, uso de documento falso, perseguição, aliciamento de crianças, coação no curso do processo e produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantojuvenil. A ação mobiliza 32 policiais e 14 viaturas.
Investigação aponta liderança do piloto
Em entrevista coletiva, a delegada Ivalda Aleixo afirmou que as investigações, iniciadas há cerca de três meses, indicam que o piloto era o principal responsável pela rede criminosa.
“Tudo aponta que ele é o líder dessa organização de exploração sexual e pornografia infantil. Ele mantinha contato direto com algumas vítimas e as levava a motéis utilizando documentos de pessoas maiores de idade. Em um dos casos, os abusos começaram quando a vítima tinha 8 anos”, afirmou a delegada.
Além da avó, uma mãe também foi presa por envolvimento no esquema. Segundo a polícia, ela cedia a própria filha ao suspeito, tinha conhecimento dos abusos e enviava fotos e vídeos da criança ao piloto.
As investigações apontam que o homem realizava pagamentos às mães e avós das vítimas, com valores entre R$ 30 e R$ 100, além de custear despesas como medicamentos, aluguel e a compra de bens para as famílias.
Até o momento, dez vítimas foram identificadas, a maioria com idades entre 12 e 13 anos. A polícia acredita que o número de vítimas seja maior, já que outras crianças aparecem em fotos e vídeos encontrados no celular do suspeito.
Prisão em Congonhas
Segundo a Polícia Civil, a prisão no aeroporto foi a forma mais eficaz de localizar o suspeito, devido à rotina profissional dele como piloto. “Havia dificuldade de encontrá-lo em casa. Solicitamos a escala de voo à empresa e identificamos que ele estaria em Congonhas nesta segunda-feira”, explicou a delegada.
O homem afirmou ser casado pela segunda vez e ter filhos do primeiro relacionamento. A atual esposa, que é psicóloga, compareceu à delegacia e, segundo a polícia, disse não ter conhecimento das práticas criminosas do marido.
As investigações continuam, e a polícia deve entrar em contato com outras possíveis vítimas.
Da Redação 98 FM News / Com informações da Agência Brasil