Secretário de Saúde do Paraná critica retirada da prova de baliza e alerta para riscos à segurança no trânsito

Beto Preto Secretário de Estado da Saúde do Paraná Conselheiro do CETRAN-PR Deputado Federal

O secretário de Estado da Saúde do Paraná, Beto Preto, criticou a decisão de retirar a prova de baliza do exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e afirmou que a medida pode comprometer a formação de novos condutores e aumentar os riscos de acidentes no trânsito.

A manifestação foi feita durante uma reunião do Conselho Estadual de Trânsito do Paraná (CETRAN-PR), órgão do qual o secretário faz parte. Segundo ele, a mudança tem sido apresentada como uma simplificação administrativa, mas ignora impactos diretos na segurança viária e na saúde pública.

“A baliza não é apenas uma manobra isolada. Ela avalia coordenação motora, noção de espaço, percepção de profundidade, visão lateral e capacidade cognitiva. São habilidades fundamentais para quem vai dirigir em ruas e rodovias”, afirmou Beto Preto.

Para o secretário, modernizar processos é necessário, mas não pode significar a redução de critérios essenciais de avaliação. Ele defende que qualquer alteração no exame de habilitação deve ser acompanhada de instrumentos equivalentes de análise técnica. “Quando se elimina uma etapa sem substituí-la por outra igualmente eficiente, corre-se o risco de fragilizar todo o processo de formação do condutor”, disse.

Beto Preto também criticou a forma como decisões dessa magnitude vêm sendo tomadas. De acordo com ele, os conselhos estaduais de trânsito existem justamente para contribuir tecnicamente e representar as realidades regionais. “Medidas impostas de forma vertical, sem escuta dos órgãos colegiados, empobrecem o debate e afastam a construção coletiva de soluções”, avaliou.

Outro ponto destacado pelo secretário foi a necessidade de avançar na regulamentação das bicicletas elétricas e dos veículos autopropelidos. Segundo ele, o crescimento acelerado desses meios de transporte, muitas vezes sem regras claras, cria uma “zona cinzenta” que também afeta a segurança viária.

Como médico e gestor público, Beto Preto ressaltou que não é possível dissociar trânsito de saúde. “Acidentes não são números abstratos. Eles representam leitos ocupados, famílias desestruturadas, sequelas permanentes e vidas interrompidas”, afirmou.

Dados do setor de saúde mostram que os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de internação por trauma no país. Além do impacto humano, eles sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS), ocupam leitos de UTI e geram custos elevados ao poder público.

“Quando se flexibilizam critérios de formação de condutores, as consequências recaem diretamente sobre o SUS. Prevenção é sempre o caminho mais eficiente e mais humano. Formar melhor é salvar vidas”, disse o secretário.

Para ele, caso o modelo atual de avaliação seja considerado ultrapassado, o caminho deve ser a criação de um novo formato, tecnicamente robusto, capaz de avaliar cognição, percepção espacial, reflexos e capacidade de reação. “O que não podemos é reduzir exigências sem assegurar critérios equivalentes de qualidade”, concluiu.

Beto Preto é secretário de Estado da Saúde do Paraná, conselheiro do CETRAN-PR e deputado federal licenciado.

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