TRABALHO: Setor produtivo do Paraná fecha questão sobre a “Escala 6×1”, entenda

O setor produtivo paranaense espera acordos coletivos, e não imposição legal uniforme

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil atingiu o seu ponto de maior fervura. Com o anúncio de que o Congresso Nacional estabeleceu maio de 2026 como meta para a votação histórica das PECs que extinguem a escala 6×1, as federações patronais do Paraná consolidaram um bloco de resistência. O setor produtivo paranaense alerta que a pressa legislativa pode resultar em um “efeito dominó” de inflação e desemprego estrutural no estado.

Brasília: O Cronograma da Mudança

O avanço da PEC 8/2025 (Erika Hilton) e da PEC 221/2019 (Reginaldo Lopes) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sinaliza uma mudança profunda. No Senado, a PEC 148/2015 já propõe um escalonamento de quatro anos para reduzir a carga de 44 para 36 horas semanais. Embora 73% da população apoie a medida, o setor empresarial do Paraná aponta para um custo de adaptação que muitas empresas não conseguirão suportar.

O Peso no Paraná: Posicionamentos Oficiais

  1. Produção de Alimentos e o Campo (FAEP)

O Sistema FAEP é enfático ao afirmar que a proposta ignora a natureza da agropecuária. Como a atividade lida com ciclos biológicos e seres vivos que demandam atenção diária, a redução da jornada forçaria contratações imediatas em um cenário de escassez de mão de obra. A federação alerta que isso comprometerá a produção de alimentos, encarecendo a cesta básica e retirando a competitividade do produtor paranaense no exterior.

  1. Indústria e Competitividade (FIEP)

A FIEP defende que qualquer alteração deve ser mantida no âmbito da livre negociação e não por “canetada” constitucional. A entidade argumenta que o aumento do custo unitário do trabalho, sem um salto de produtividade tecnológica, pode acelerar a desindustrialização no estado ou forçar uma automação que extinguirá postos de trabalho operacionais.

  1. Comércio e Microempresas (FACIAP e Sinca PR)

A FACIAP prevê um cenário de demissões e fechamento de pequenos negócios, que não possuem margem financeira para absorver um aumento estimado em até 22% nos custos trabalhistas. Complementando, o Sinca PR acendeu o sinal de alerta para o setor de serviços e comércio varejista, prevendo que o atendimento ao público será prejudicado e os preços serão inevitavelmente repassados ao consumidor final.

Panorama da Transição: O Que Está em Jogo

Instância

Status em Fevereiro/2026

Meta de Desfecho

Câmara Na CCJ, sob comando de Hugo Motta. Votação em plenário até Maio/2026.
Senado PEC 148/2015 aguarda plenário. Transição gradual em até 4 anos.
Setor Produtivo PR Lobby por regras de transição longas. Manutenção da livre negociação.

Análise: O Impacto no “Bolso” Paranaense

Enquanto o governo federal busca um consenso para evitar que a medida alimente a inflação, as lideranças do Paraná intensificam o diálogo com a bancada federal do estado. O argumento central é que o estado, por ser um hub logístico e agroindustrial, sofrerá mais do que outras regiões com o aumento dos custos de escala.

Para o trabalhador, o cenário ainda é de expectativa. Sendo uma PEC, a aprovação exige quórum qualificado (308 deputados e 49 senadores) em dois turnos. Até lá, o setor produtivo paranaense promete não recuar na defesa de que a modernização do trabalho deve vir por acordos coletivos, e não por imposição legal uniforme.

Por: Com Agências – Redação 98FM

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