O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na noite desta quinta-feira (8/1), que o país realizará ataques terrestres contra cartéis de drogas no México.
“Não queremos lutar com os Estados Unidos”, disse, ao destacar parcerias com o Comando Norte e agências americanas, além da defesa do território nacional.
Até a última atualização desta reportagem, o governo mexicano ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a fala do presidente norte-americano.
Ataque à Venezuela
No dia 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar em território venezuelano, que incluiu bombardeios e ações de forças especiais na capital, Caracas, e outras áreas do país.
Durante a ação, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para os Estados Unidos, onde estão detidos e respondem a acusações como a de narcotráfico nos tribunais norte-americanos.
O governo venezuelano informou que até cerca de 100 pessoas morreram durante a operação militar dos EUA, incluindo civis e militares venezuelanos, e membros das forças de segurança de Cuba que estavam no país.
Segundo Trump, os Estados Unidos irão administrar a Venezuela durante o período de transição e controlar as reservas de petróleo do país sul-americano.
Trump acusa presidente da Colômbia de ser narcotraficante
Após o ataque dos EUA à Venezuela, Donald Trump afirmou que a Colômbia “também está muito doente, governada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”, e sugeriu que uma operação militar no país “soa bem” para ele.
Nessa quarta-feira (7/1), os presidentes dos dois países tiveram uma conversa por telefone. Petro afirmou que a ligação foi a primeira desde que Trump assumiu a Presidência norte-americana. Segundo ele, o telefonema durou cerca de uma hora e tratou de dois temas principais: Venezuela e narcotráfico.
“Obviamente, eu estava apreensivo. Na conversa, toquei em dois temas para não prolongar demais e fiz um pedido: que sejam restabelecidas as comunicações diretas entre as chancelarias e os presidentes. Se não houver diálogo, há guerra. Se não houver conversa, estamos perdidos”, afirmou o colombiano durante discurso em manifestação na capital Bogotá, convocada por ele mesmo.
Trump confirmou o telefonema em publicação na rede Truth Social. Segundo o norte-americano, os dois falaram sobre drogas e divergências recentes.
“Foi uma grande honra conversar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que temos tido”, disse.
Trump afirmou, ainda, que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, trabalha para alinhar uma reunião entre os líderes na Casa Branca, ao lado do chanceler colombiano, sem dar mais detalhes.
Exército dos EUA no Mar do Caribe e no Pacífico oriental
Desde setembro de 2025, o governo Trump intensifica ataques militares contra embarcações que afirma serem usadas por traficantes de drogas ou por grupos classificados como “narcoterroristas”. Em outubro, o presidente declarou que os Estados Unidos estão, oficialmente, em guerra contra cartéis de drogas.
As ações ocorreram em águas internacionais, principalmente no Mar do Caribe e no Pacífico oriental, em rotas entre a Venezuela e outras áreas da América Latina.
O primeiro ataque relatado ocorreu em 2 de setembro de 2025, quando os EUA atingiram uma pequena embarcação no Caribe, acusada de transportar drogas ligadas a um grupo venezuelano. Trump afirmou que 11 pessoas foram mortas nesse ataque.
Segundo levantamentos de organizações independentes e veículos internacionais, até dezembro de 2025 ao menos 26 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico foram registrados no Caribe e no Pacífico.
Cerca de 22 embarcações foram atingidas, incluindo barcos de pequeno porte e uma semisubmersível. Entre 75 e 95 pessoas morreram nos ataques, realizados com drones e armamentos lançados de navios ou bases navais.
O governo dos Estados Unidos afirma que as ações militares fazem parte de uma campanha contra o narcotráfico transnacional e que os grupos a bordo atuam como “narcoterroristas”, representando uma ameaça à segurança do país. Segundo Washington, as operações seriam uma forma legítima de combate ao tráfico em alto-mar.
Com informações do Metrópoles