A candidata conservadora Keiko Fujimori está muito próxima de se tornar a próxima presidente do Peru após abrir uma vantagem considerada insuperável no segundo turno das eleições presidenciais.
De acordo com os dados divulgados pela autoridade eleitoral peruana, a ONPE, Keiko alcançou 50,11% dos votos válidos, enquanto o candidato de esquerda Roberto Sánchez obteve 49,88%.
A diferença entre os dois candidatos é de mais de 43 mil votos, número superior à quantidade de votos ainda pendentes de apuração. Apesar disso, a autoridade eleitoral informou que a declaração oficial do vencedor deverá ocorrer apenas em meados de julho.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko disputou a presidência pela quarta vez e conseguiu consolidar uma vitória que reforça o avanço de governos de direita na América Latina. A campanha foi marcada pelo discurso de combate à criminalidade e pela promessa de restaurar a ordem em um país que enfrenta crescente preocupação com extorsões e assassinatos.
O resultado, no entanto, já gera tensão política. Roberto Sánchez afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral e declarou que não reconhecerá o resultado das urnas. O candidato também tentou anular milhares de votos registrados no exterior, mas o pedido foi rejeitado pelo júri eleitoral peruano.
A apuração sofreu atrasos devido à análise de votos contestados, à chegada tardia de cédulas do exterior e à pequena diferença entre os candidatos.
Caso a vitória seja confirmada, Keiko Fujimori assumirá o comando de um país marcado por forte instabilidade política. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes diferentes. Nenhum deles concluiu um mandato completo, e vários ex-chefes de Estado enfrentaram processos judiciais, prisões ou impeachment.
A futura presidente terá como principais desafios a recuperação da confiança da população nas instituições, a redução das desigualdades econômicas e o enfrentamento da crise de segurança pública que preocupa os peruanos.