Frente fria traz ar mais seco e derruba as temperaturas; Simepar prevê chuva acima da média até dezembro e efeitos do fenômeno até 2027
Apucarana amanheceu esta quinta-feira (15) com garoa e temperatura próxima dos 18°C. A previsão indica máxima em torno de 23°C e possibilidade de chuva ao longo do dia, mas a tendência é de melhora. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a chuva começa a diminuir gradualmente no estado entre quinta e sexta-feira, com o deslocamento de um sistema frontal pelo oceano, que traz uma massa de ar mais fria e seca.
Ainda assim, permanece a possibilidade de pancadas isoladas e trovoadas no interior. No Leste, nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro, há risco de temporais localizados, embora menos intensos que os do início da semana.
Frio volta no fim de semana
O avanço do ar frio deve reduzir as temperaturas mínimas e máximas, sobretudo na sexta-feira, com ventos do quadrante sul provocando sensação de frio, segundo o meteorologista do Simepar Leonardo Furlan. Em Apucarana, a previsão aponta fim de semana sem chuva e madrugadas entre 9°C e 13°C.
Média do mês superada em 12 dias
A semana foi marcada por temporais em todo o estado. Das 47 estações do Simepar com mais de cinco anos de operação, 16 ultrapassaram, nos primeiros 12 dias de outubro, a média histórica de chuva para o mês inteiro. Somente no feriado de Nossa Senhora Aparecida, foram registrados 147,4 mm em Foz do Iguaçu, 127,4 mm em Cruzeiro do Iguaçu e 111,2 mm em Cascavel. Em Foz, o acumulado do mês chegou a 372,4 mm, frente a uma média de 262,2 mm.
O vento também causou preocupação. Na segunda-feira, as rajadas atingiram 84,6 km/h em Campo Mourão e 76 km/h em Cianorte. Segundo Furlan, as instabilidades foram provocadas por uma extensa área de baixa pressão, perturbações nos níveis médios e altos da atmosfera e um amplo fluxo de calor e umidade que alimentou as tempestades. O cenário já vinha se desenhando: setembro de 2026 teve o maior volume de chuva já registrado em 14 estações do Simepar.
Pico do El Niño
Por trás da sequência de temporais está o El Niño, o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Segundo o Simepar, o fenômeno está ativo desde junho e deve se intensificar ao longo da primavera, com outubro, novembro e dezembro de 2026 apontados como os meses mais importantes de seu desenvolvimento.
A agência climática norte-americana NOAA projeta fortalecimento até o fim do ano e mantém acima de 90% a probabilidade de um evento muito forte.
A explicação está na atmosfera mais carregada. Com mais calor e umidade disponíveis, há mais “combustível” para a formação de tempestades, e os volumes de chuva devem ficar acima da média todos os meses até dezembro. O Simepar prevê ainda episódios de instabilidade mais severos e condições de chuva intensa até o primeiro trimestre de 2027.
As regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul devem concentrar os maiores volumes. Os impactos já aparecem nas estatísticas. Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, o Paraná registrou 119 ocorrências de tempestade nos primeiros sete meses de 2026, incluindo vendavais, tornados, raios, granizo e chuvas intensas.
A Defesa Civil intensificou as ações de preparação com os municípios e, com o Instituto Água e Terra, viabilizou a dispensa de licenciamento ambiental para obras emergenciais ligadas a desastres naturais.
Orientações
Em situações de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. Durante temporais, a recomendação é evitar áreas alagadas, não se abrigar sob árvores e manter distância da rede elétrica.
Com informações de agências meteorológicas