CURITIBA – Em um intervalo de apenas 24 horas, o tabuleiro eleitoral do Paraná e do Brasil sofreu uma reconfiguração drástica. O governador Ratinho Junior (PSD) anunciou oficialmente sua desistência da corrida à Presidência da República, um movimento que ocorre simultaneamente à consolidação de uma aliança de peso entre o clã Bolsonaro e o senador Sergio Moro (PL).
O isolamento de Ratinho Jr. no campo da direita foi selado nesta terça-feira (24). O senador Flávio Bolsonaro “bateu o martelo” ao oficializar o apoio total do PL à candidatura de Sergio Moro ao Governo do Paraná. A decisão de Flávio de abraçar Moro — outrora desafeto e agora aliado estratégico — visou garantir um palanque forte no Sul, após Ratinho não aceitar a composição como vice na chapa presidencial da família Bolsonaro ou garantir exclusividade ao grupo.
Com Moro filiado ao PL e contando com o suporte da “máquina” bolsonarista, o governador paranaense viu seu capital político ser cercado por uma chapa de peso, que deve incluir nomes como Deltan Dallagnol e Filipe Barros para o Senado.
Para além da política partidária, o fator administrativo pesou na balança. Sergio Moro antecipou uma postura de enfrentamento direto ao principal legado da gestão Ratinho: a privatização da Copel. Moro declarou intenção de rever o processo, levantando dúvidas sobre a segurança jurídica da operação.
Para Ratinho Junior, deixar o cargo em abril para disputar o Planalto significaria entregar o comando do Estado e a defesa da Copel a um cenário de incertezas. A permanência no Palácio Iguaçu até dezembro de 2026 torna-se, portanto, uma estratégia de blindagem jurídica e política para evitar que seu sucessor seja atropelado pela narrativa de revisão de contratos de Moro.
A saída de Ratinho Jr. retira do PSD de Gilberto Kassab um dos nomes mais competitivos da chamada “terceira via”. Sem o governador paranaense na disputa, o eleitorado de centro-direita fica polarizado entre a continuidade do governo federal e o bloco de oposição liderado pelo PL. No Paraná, a disputa deixa de ser uma sucessão tranquila para se tornar uma das batalhas mais acirradas do país, opondo a máquina estadual ao forte apelo do “lavajatismo” unido ao bolsonarismo.
Da Redação com agências