Programa Mãos Amigas é ampliado para Apucarana e passa a atender mais 63 escolas

O programa é uma iniciativa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) e utiliza a mão de obra de Pessoas Privadas de Liberdade (PPLs) na execução de serviços de conservação, manutenção e pequenos reparos (Foto: Karina Audrey/Fundepar)

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O programa Mãos Amigas ampliou sua atuação no Interior do Paraná e passou a atender o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, no Vale do Ivaí, incorporando 63 escolas estaduais à área de abrangência da iniciativa. Ele é uma iniciativa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) e utiliza a mão de obra de Pessoas Privadas de Liberdade (PPLs) na execução de serviços de conservação, manutenção e pequenos reparos, contribuindo para a melhoria da infraestrutura escolar e para maior agilidade no atendimento das demandas das unidades de ensino.

Na região de Apucarana o atendimento será feito de forma gradual, conforme a demanda e o cronograma do programa, que segue em fase piloto, com início das atividades em 16 colégios no município-sede. A previsão é que, ainda no primeiro semestre de 2026, a iniciativa seja expandida para as regionais de Ivaiporã, Wenceslau Braz, Dois Vizinhos e Pato Branco.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a iniciativa torna a manutenção das escolas mais eficiente e estratégica para o Estado, ao otimizar recursos públicos e ampliar a capacidade de atendimento da rede. “A utilização estruturada da mão de obra de pessoas privadas de liberdade na conservação da infraestrutura escolar resulta em uma economia anual superior a R$ 5 milhões aos cofres públicos, sem prejuízo à qualidade dos serviços, além de garantir o direito à remição de pena aos participantes”, afirma.

A parceria entre Educação e Segurança Pública fortalece o alcance do programa e amplia as oportunidades de ressocialização, segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira. “O Mãos Amigas une a melhoria da estrutura das escolas com um caminho real de reintegração social, por meio do trabalho e da qualificação. É uma ação que beneficia a comunidade escolar, reforça a responsabilidade do Estado com políticas efetivas e abre novas perspectivas para as pessoas privadas de liberdade”, afirma.

Para a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, o Programa Mãos Amigas demonstra a capacidade de transformar políticas públicas em ações concretas nas escolas estaduais. “Trata-se de uma das maiores iniciativas do país a utilizar mão de obra prisional na manutenção escolar. É um processo ágil que atende mais de 875 colégios em 16 Núcleos Regionais de Educação com termo de cooperação”.

De acordo com o chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da Polícia Penal do Paraná, Boanerges Silvestre Boeno Filho, a chegada do Mãos Amigas a Apucarana representa um avanço no processo de ressocialização, ao ampliar as oportunidades de qualificação profissional, geração de renda e fortalecimento dos vínculos familiares das pessoas privadas de liberdade.

“Quando a pessoa privada de liberdade trabalha, aprende um ofício, eleva a autoestima e se prepara melhor para retornar à sociedade. A família reconhece esse esforço de mudança, o vínculo se fortalece e a reincidência diminui. É uma iniciativa em que o Estado, a sociedade e a comunidade escolar ganham”, ressalta.

Ele explica que os participantes têm direito à remição de pena, conforme previsto na Lei de Execução Penal, sendo que, a cada três dias de trabalho, um dia é abatido da pena total. “Além disso, recebem ajuda de custo equivalente a 75% do salário mínimo, contribuindo para o sustento das famílias e para o processo de reintegração social”.

MÃOS À OBRA – Ao longo de 2025, 454 instituições receberam serviços, totalizando 2.299 atendimentos nas áreas de roçada, jardinagem, pintura, pequenos consertos e limpeza. No período, 647 pessoas privadas de liberdade participaram diretamente da execução das atividades.

Segundo o chefe da Divisão de Programas e Projetos Especiais do Fundepar e gerente estadual do Mãos Amigas, Claus Giovani Andrade Marchiori, a iniciativa também investe na qualificação profissional dos participantes. Recentemente, foi oferecido curso para 10 regionais, voltado à segurança em atividades em altura, além da operação de motosserra, motopoda e roçadeiras, com foco em técnicas seguras no uso de máquinas e equipamentos.

“Sob a gestão do Fundepar, são executados serviços essenciais, como conservação de ambientes, reparos e manutenção preventiva, garantindo mais segurança, conforto e melhores condições de uso das edificações. Por meio das capacitações, reforçamos a segurança dos trabalhadores e qualificamos os serviços prestados às escolas. Para 2026, a proposta é ampliar a oferta de cursos, com formações em pintura predial, assentamento de revestimento cerâmico e soldagem”, afirma Marchiori.

RECONHECIMENTO – Em 2023, o Fundepar recebeu o Selo Resgata, premiação nacional concedida pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça, que reconhece iniciativas voltadas à responsabilidade social e ao incentivo ao trabalho prisional.

O Programa Mãos Amigas é desenvolvido por meio de parceria entre a Secretaria da Educação, por meio do Fundepar, e a Secretaria da Segurança Pública, via Polícia Penal do Paraná, com apoio técnico do Paraná Educação.

Com informações da AEN

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